15 maio 2016

LIVRO - SALMO _51

A história demonstra que, na vida, cada escolha feita de forma errada resultará em consequências desastrosas, trágicas. Uma escolha errada pode virar um pecado, por seu descuido espiritual. No entanto, apesar de quão grande for o pecado cometido e os desdobramentos de suas escolhas e das trágicas consequências, Deus, mesmo assim, vai demonstrar sua graça e amor, restaurando-os, perdoando-os e ainda mais, concedendo ao pecador a oportunidade "outras felicidades". A história contida neste livro não tem o cunho religioso propriamente dito, mas suas consequências e escolhas nos remete a uma passagem bíblica e por conseguinte ao Salmo 51. Ao final da leitura chegaremos a conclusão que devemos avaliar nossas vidas, verificando em quais áreas temos pecado contra o Senhor. Confesse cada um dos seus erros, dispondo-se a abandoná-los. Lembre-se de que é indispensável você manter vigilância para que suas escolhas sejam sempre feitas segundo a instrução da Palavra de Deus. E não se esqueça de sempre render louvores ao Senhor pelo perdão que ele concede a você, bem como, por sua infinita graça que é revelada na continuidade de suas bênçãos em sua vida, apesar de seus erros.
ESCOLHAS ERRADAS = CONSEQUÊNCIAS TRÁGICAS
SINOPSE DO LIVRO 

07 maio 2016

LIVRO - O SILÊNCIO DA PENHA (JAMAIS TE CALAS)



Maria Sanchez Penha conheceu o ex-marido na melhor época da sua vida. Ela tinha quinze anos; ele, vinte e cinco. No começo o que se predominava eram as juras de amor. Maria estava apaixonada, ou cega, como diria mais tarde, mas o amor é mesmo assim: Indecifrável no começo, trágico no fim. Eles faziam planos a curto médio e longo prazo e Maria se encantava com tudo que ele dizia e planejava. Brigas, discussões, são normais nos casais pensava Maria e com uma boa lábia, ele sempre trazia a situação sob seu controle depois de uma briga. Até então, as ameaças não faziam parte da rotina do casal – Até então. Certa vez fizeram uma viagem. Foram a uma praia e foi ali que a situação pareceu que começaria a fugir do controle: Depois de uma sucessão de brigas, Maria ameaçou deixá-lo. Ele a levou para um penhasco e garantiu que a mataria caso o relacionamento chegasse ao fim. Mesmo depois desse e de novos episódios semelhantes acontecidos, os dois resolveram morar juntos:


          - Querendo ou não, eu gostava dele, justificava Maria.

           Maria “achava” que ele poderia mudar.

São coisas do amor, ainda mais quando é cego, mas o que é o amor? Pergunta sem resposta. Quem sabe é o coração. A primeira agressão física aconteceu numa noite de Natal. Imaginem só, bem numa época em se prega o amor e a alegria entre pessoas que se amam. Maria levou uma cabeçada do marido que a fez desmaiar. Quando acordou, foi impedida de ir para a casa dos pais pelos cunhados, cúmplices das inúmeras outras agressões que ela viria a sofrer. Teve que ir para a casa que dividia com o marido. A partir daí, chutes, socos, empurrões e ameaças de morte se sucederam:

           - Eu pedia para nos separar; ele chorava muito, dizia que ia mudar. Fui levando.

 Eles continuaram juntos e tiveram um filho. Numa ocasião, chegaram a ficar separados por dois anos, e Maria, certa vez, teve de ficar hospedada na casa da sogra, pois o filho faria uma cirurgia. Com isso o casal voltou a viver juntos. Depois, quando Maria decidiu aceitar um emprego, despertou a fúria do marido. Ele subiu em sua barriga e a socou vigorosamente. A sogra assistiu à cena, imóvel:

           - Quando meu marido terminou de me bater, minha sogra disse que a culpa era minha.

          Maria se mudou, mas não conseguiu completar nem um mês no apartamento arranjado pela amiga. Em outra ocasião, ele tentou matá-la com uma faca. Conseguiu fugir e se escondeu na casa de uma amiga. Maria então resolveu denunciá-lo, uma, duas, tantas vezes, mas as ameaças continuaram, apesar das ordens judiciais de que ele deveria se manter afastado dela por certa distância, das ameaças da polícia de prendê-lo, e a vida de Maria passou a ser um tormento ameaçador, a todo o momento fugindo, com medo e se escondendo de seu grande amor.
SINOPSE DO LIVRO

LIVRO - ALGUMAS PALAVRAS IV - TODAS AS MÃES

MÃE DE RUA
Daquela vez ela não quis nem saber e o fez dormir fora da casa humilde, de madeiras, forrada com placas de papelão para aliviar o frio que castigava as noites intermináveis. O vento e os respingos da chuva que invadia o pequeno cômodo faziam com que o menino, trêmulo, se afagasse no corpo da mãe mesmo debilitada e drogada, bêbada igual marido zumbi moribundo, “envenenados” na loucura das drogas e do álcool. E qual exemplo teria aquele menino que assistia de olhos arregalados àqueles filmes diários de perdição, melancolia e desespero? Mas o menino não se cansava de suplicar a Deus para que um dia tudo aquilo pudesse acabar e quando acabasse não seria também um morador de rua como sua mãe, como seu pai, e nem estaria envolvido com aquelas drogas pesadas – sonhava com dias melhores. Ele não queria ser um menino de rua, e sim, um homem com identidade e digno para viver. Que Deus possa me ajudar, dizia o menino, pois não queria se perder feito sua mãe e não queria ser um morto vivo como seu pai. Quando o pequeno menino se deparou novamente com sua mãe completamente drogada, suja, maltrapilho, poderia ignorar, chorar, correr... Desprezar, mas sua Mãe de Rua antes de se perder o ensinou a amar, ensinou que existe amor e que o amor pode ser pequeno, grande ou infinito. O pequeno menino não tinha forças, não conseguiria tirar sua mãe das ruas apenas com seu corpo físico, mas poderia tirar com os olhos que refletem e refletiam o amor através do coração, e isso ele conseguiu, mesmo que por um instante, até a próxima abstinência ou recaída, mas para o menino o que mais valia era “apenas” um instante de amor, para ter a certeza de que o amor existia.
- Ó meu Deus todo poderoso e misericordioso! Eu enxergo o amor nos olhos da minha mãe, mas parece que o amor está preso, acorrentado, prisioneiro deste vício maldito. Mas as lágrimas da minha Mãe de Rua ainda pode ser o remédio da compaixão, da esperança, da perseverança. Enquanto eu tiver forças não vou abandonar a minha mãe e sei que ela está fazendo de tudo para não me abandonar, para não abandonar a si mesma, e é por isso que acredito no amor acima de tudo. Mas, se o amor perder a guerra, na certa eu vou chorar. Minha mãe de rua vai padecer, escafeder-se, mas mesmo assim não vou abandonar o meu Deus todo poderoso, não vou achar que meu Deus me abandonou, pois apesar de menino, eu tenho a consciência de que fiz o melhor e essa lição vou levar para a vida inteira, pois sei que meu Deus me ama e se me deu esse peso, essa sina, é porque fui escolhido como a “pessoa certa”, amém!
TRECHO DO LIVRO

29 abril 2016

LIVRO - ALGUMAS PALAVRAS _ FILOSOFIA - COLEÇÃO

Na Antiguidade, dizia-se que “O pensamento é o passeio da alma”, pois este era considerado uma atividade na qual saímos de nós mesmos sem sairmos de nosso interior. Em nosso cotidiano, usamos as palavras pensar e pensamento em sentidos variados, podendo se constituir em uma atividade solitária, invisível para nós e que precisa ser proferida para ser compartilhada, ou também se traduzir em sinais corporais e visíveis. Há várias maneiras de se interpretar o pensar, que pode ser visto como preocupação cisma ou dúvida; pode ser sinônimo de deliberação e de decisão, como algo que resulta numa ação; pode se referir a algo que se pode ou não querer, algo voluntário e deliberado, uma forma de atenção e concentração; pode representar uma determinada ideia que, definindo algum assunto, foi publicamente anunciada; ou pode ainda, conforme mencionado por Descartes na frase “Penso, logo existo”, indicar a própria essência da natureza humana. Podemos inclusive supor que há bons e maus pensamentos.
Trecho do Livro 

24 abril 2016

LIVRO - RUA CINCO DE JULHO - BURACO NA ALMA NO CAMPO DE SONHOS

Ao adormecer, me vi num corredor estreito, iluminado por luzes fortes, amarelas e repleto de fumaça branca. Estava frio e comecei a escorregar em curvas, como se fosse um tobogã, até chegar à ponta de baixo de uma grande escada branca onde avistava bem lá no alto uma grande porta.
- Suba Tinho! Suba!
Uma voz de menina pedia para eu subir as escadas.
- Mas eu não posso subir essas escadas! São muitos degraus e eu tenho arritmia. Posso ter uma crise!
- Suba Tinho! Suba!
- Mas quem é você?
- Suba Pai!
Não foi difícil subir as escadas, pois parecia que estava voando e ao invés do esforço me provocar uma crise, sentia meu coração cheio de amor e paz. Ao chegar à porta, ela mesma se abriu sem ao menos eu bater e de dentro uma voz perguntava o que eu estava fazendo ali, e respondi:
- Eu vim chamar a minha mãe. Ela precisa soprar meu coração! Meu coração está doendo!
- Deixa que eu chamo! Disse a menina, de vestido vermelho.
Foi então que a porta se fechou e eu fiquei do lado de fora, descendo os degraus como se “pássaros com grandes asas” me conduzissem. Olhei para trás e vi a menina de vestido vermelho me dando tchau e gritei perguntando seu nome:
- Anna!
Olhei para a janela lateral e vi que ainda estava escuro. Perdi a noção do tempo naquele momento. Estava deitado em minha cama, olhando para algumas estrelas que apareciam no céu. O
céu me parecia tão perto e o brilho das estrelas iluminavam o meu quarto. Fui até a cozinha preparar um copo de leite com café e senti que parecia ter alguém na sala. Pelo espelho do banheiro, que refletia o sofá da sala, vi uma menina pulando no sofá como se fosse uma cama elástica. Tive a sensação de que se ela me visse, iria parar de pular, mas eu não queria que ela parasse. Fui devagar até a minha cama, me deitei, mas conseguia ainda vê-la na sala, pulando no sofá. Ela estava ali, na minha frente, sorrindo pra mim!
- Anna. Minha filha!
Agora de vestido branco, acariciando os meus pés e indicando que eu tomasse um copo com água que estava no criado mudo, ao lado dos remédios que eu havia ingerido, ao lado do retrato onde eu e ela estávamos abraçados e sorrindo. Eu tentava me levantar para abraçá-la, mas não conseguia, e ela fazia um sinal, como se estivesse pedindo para eu ficar quieto, deitado, sem me esforçar e mesmo afoito, resolvi obedecer. Eu precisava de um remédio. Eu precisava dela e Deus me fez vê-la, provando a mim, mais uma vez, que ELE existe.
- Descanse bem, pois amanhã tem jogo!
- Jogo?
- Sim Tinho! Contra os caras da Rua Marcos Portugal! Lembra?
- Como você sabe menina?
- É tudo que você sempre quis, não é? Marcar um gol num jogo decisivo!
Se eu pudesse falar e você ouvir, queria lhe dizer tantas coisas, mas Deus só permitiu que eu visse o sorriso de Aneobalda, depois do diálogo, vindo à direção dos meus olhos para fazer com que meu coração explodisse em bater, mas sem arritmia, somente de alegria e contentamento.
- Descanse bastante, Tinho!
- Tá bom!
- Você precisa ficar bem para poder marcar o gol da vitória! O jogo vai ser muito importante! Será contra os caras da Rua Marcos Portugal e vai valer troféu, medalha e flâmula!
- Tá certo, mas eu preciso ainda comprar o meu tênis bamba!
- Sua mãe já comprou e nós já sopramos seu coração! Vá é marque o gol da vitória. Estaremos torcendo por você e seu time, e depois, quando o jogo acabar, suba novamente as escadas, não vai doer. A porta irá se abrir e estaremos te esperando para lhe abraçar. Vou correr em teus braços e como criança, você vai me girar no ar. Esse é o melhor momento, a hora de te encontrar, pai!
TRECHO DO LIVRO

LIVRO - DO OUTRO LADO - UM NOVO FINAL - 2a. edição



A mesa estava fria, tal como as mãos do médico que trabalhava para me tirar a pequena vida cujo coração só recentemente começava a bater. Senti vergonha e uma dor terrível por permitir que este médico tirasse de mim o meu bebê. No silêncio e no meu desespero, podia ouvir uma voz muito baixa que estava a chamar a minha atenção.
               Era como se a voz dissesse:
               "Não, por favor, não... Por favor, não."
Mas foi tarde demais. A voz desapareceu junto com o corpo pequenino. Que vergonha, culpa e depressão me seguia. Como foi possível eu fazer uma coisa tão egoísta e má? Que tipo de ser humano sou? Eu queria morrer. 
               Quando estava pronta para sair da clínica, reparei numa enfermeira a colocar um cartão na gaveta.  Supunha que tinha o meu nome e toda a informação sobre o meu bebê morto. Então, é assim pensei eu, A vida do meu bebê num cartão que vai ficar dentro de muitos outros, num gabinete. Posso saber o que está escrito no cartão? Será que era um rapaz ou menina? Claro que não - Ouvi dizer que não é possível de se saber tão cedo. Por intuição penso que era um rapaz.
             Mas como era o meu bebê? Mas em vez de ter nos meus braços um bebê vivo que respirava, e que um dia iria correr rir e amar, só existia um cartão com palavras. Continuei a pensar mais: E se alguém conhecido começar a trabalhar nesta clínica e vir o meu nome nas fichas? Sentia-me muito envergonhada. Preocupava-me com a minha reputação. O meu aborto aconteceu há doze anos. Foi num mês de Novembro - e a cada outono, quando vejo as folhas das árvores mudarem de cor e caírem , lembro-me da minha queda quando matei o meu próprio bebê.  Todavia apesar daquele dia tão terrível, desde então eu vim a conhecer um Salvador que me ama. Soube do seu perdão e agradeci-lhe por isto, mas nunca me sentia perdoada. Eu chorava muitas vezes pedindo-lhe para tirar-me a culpa e o sofrimento, mas parecia não haver resposta. Até que uma noite eu tive um sonho tão real até ao ultimo detalhe. No sonho estava na clínica, a olhar a enfermeira a colocar o cartão na gaveta. Sentia um peso enorme ao meu redor, que quase não conseguia respirar. De repente um homem apareceu ao lado da enfermeira. Ó não! Será alguém que conheço? Alguém vai descobrir o que eu fiz.  O homem virou-se para mim. Eu vi o seu rosto. Não, por favor, Ele não... Qualquer pessoa, menos Ele. Era Jesus!
 - Saia, se faz favor, dizia eu. Não deve estar neste lugar horrível. 
Mas Ele não saia. Em vez disto, mansamente, Ele tirou o cartão da mão da enfermeira. Eu comecei a tremer na medida em que eu via os seus olhos absorver a realidade do que eu tinha feito. Lentamente Ele curvou a cabeça e começou a chorar. Sentia-me tão mal porque eu era a razão d'Ele ter vindo àquele lugar. Eu caí ao chão em desespero. Senti as suas mãos nos meus ombros e olhei para os seus olhos, esperando a sua ira. Mas não via nem ira nem condenação, só compaixão. O seu rosto refletia tristeza, e percebia que era mais profunda do que a minha. Ele abraçou-me e eu coloquei a minha cabeça no seu peito. As nossas lágrimas caiam juntas. Finalmente ele começou a escrever algo no cartão. Eu vi e descobri que Ele tinha escrito o seu próprio nome em cima do meu pecado. O seu nome estava escrito num vermelho tão forte que não mais conseguia ler o que estava escrito em baixo. Ali, no seu próprio sangue, o nome de Jesus Cristo cobriu o meu pecado. O peso saiu de mim e enquanto olhava nos seus olhos brilhantes Ele sorriu e sussurrou: Tudo acabou. Finalmente compreendi. Não há condenação para aqueles que acreditam em Jesus, só perdão. A culpa já passou - sou perdoada e livre do passado, agora posso andar com Jesus com felicidade e paz.
TRECHO DO LIVRO


23 abril 2016

LIVRO - NUNCA É TARDE



Doutor Alberto era um grande empresário, um homem muito respeitado perante á sociedade, sua história chega a ser de superação, um homem que quebrou barreiras e deixou uma infância pobre para obter muitas riquezas, se tornando um homem de negócios, mas junto com suas riquezas ele obteve um novo caráter, não era mais aquela criança doce e encantadora, se tornou um Deus, um homem muito arrogante e severo, virou um ser humano amargo e robótico, estava sempre ocupado, por isso ao invés de presentear seus filhos com amor e carinho, os presenteava somente no campo material e havia se esquecido de presentear seus filhos no campo emocional. Seus filhos eram muito unidos, mas estavam seguindo o exemplo do pai, tornando-se arrogantes e amargos. Alberto então decidiu treinar seus filhos para assumir o seu lugar, e desde então as coisas só pioravam. João e Vitor eram péssimos lideres e tratavam mal a todos.
                 Alberto não contava com o fato de que a vida dá muitas voltas, e o prepararia uma surpresa muito desagradável. Em um exame médico foi encontrada uma grave doença, e o médico após muitos exames constataram que infelizmente Alberto só teria mais dois meses de vida. Aquele grande homem severo, poderoso e muito rico se transformou em uma frágil criança; percebeu que a morte nos humaniza, já não sabia o que dizer, nem ao menos o que deveria fazer, seu mundo desmoronou. Era um homem de apenas 55 anos, muito jovem para partir desta vida, mais devido ao estresse, seus pensamentos mórbidos e uma vida dedicada somente ao trabalho, sua doença se agravou. Foi justamente nessa hora que ele percebeu que nem todo dinheiro e poder do mundo traria sua saúde de volta, muito menos compraria a felicidade de ver seus filhos assumindo a empresa, se casando e lhe dando netos, nunca compraria paz no coração. Alberto então decidiu fazer uma viagem e nesses dois meses iria refletir sobre sua vida. Deixou seus filhos responsáveis pela empresa, disse que precisava de umas férias e que viajaria pelo mundo; ele não teve coragem de dizer a verdade.
                 No dia de sua morte, João e Vitor foram comunicados, o advogado além de ser responsável pela notícia, recebeu outra missão de seu cliente Alberto e disse: João e Vítor seu pai me deixou responsável por dividir entre vocês toda a riqueza que ele acumulou durante toda sua vida, ele me confidenciou que suas riquezas estão todas dentro do cofre de sua casa e vamos até lá para abri-lo e dividir entre vocês o que ele os deixou ao partir. Mas João e Vitor pareciam nem ligar para a morte do pai, havia uma intensa briga entre eles, que praticamente lutavam pela herança; os irmãos que eram tão unidos, agora estavam em pé de guerra. João pensava consigo mesmo: Já posso até imaginar, no cofre deve haver dólares, euros, muito dinheiro, escrituras de propriedades, ações de diversas empresas pelo mundo, pode até ter barras de ouro, não vejo a hora de meter a mão na grana do velho. Vítor também pensava semelhante ao irmão: Não vejo a hora que abra logo, esse cofre deve ter muita grana, o velho era muito rico e tinha muitas propriedades e sempre deu mais importância ao material do que seu lado emocional. Até mesmo os advogados já acostumados com esses casos, ficaram completamente horrorizados com suas atitudes, então finalmente decidiram abrir o cofre.
                 Foi um momento de puro suspense e muita tensão, ao abrir o cofre eles tiveram uma surpresa e um forte choque, se olharam entre si e não entenderam nada e até se perguntaram: Isso é uma piada?  No cofre só haviam fotos e recados de quando João e Vítor eram crianças, uma foto da mãe dos rapazes, algumas poesias e textos assinados por Alberto e uma coleção de livros do Doutor Augusto Cury. Além disso, havia também uma carta que dizia: "Queridos filhos que eu tanto amo e sempre amarei, primeiramente gostaria de me desculpar com vocês pelo péssimo exemplo que dei á vocês e pelo pai ausente que fui, somente agora perto de minha morte estou me humanizando, tentei dissecar o meu ser, lapidar os meus defeitos.
                 Saibam, meus filhos, que esses foram os dois meses mais intensos da minha vida, comecei somente agora perto de minha morte a descobrir que a vida é muito mais do que o nosso exterior, eu existi somente na superfície, nos meus últimos dias entendi a verdade e a essência de nossas vidas, aprendi a contemplar o belo da natureza, tudo e todos ao nosso redor. A noite eu conversava com a lua e namorava as estrelas, voei pelo lindo céu azul na asa delta da imaginação, presenciei os pássaros cantando , aprendi a dançar com alegria a valsa da vida, fiz uma viagem como nunca havia feito antes, mas desta vez não cruzei o meridiano. Por certo vocês acham que fui á Europa? Paris? Milão? Não meus filhos desta vez viajei para dentro do meu ser, visitei os vales da sombra de minha arrogância e soberba, nesta viagem aprendi a controlar minhas emoções e filtrar meus pensamentos ruins, nunca na vida agi por impulso e através do ego, comecei a me divertir com minha insensatez e minhas mazelas, percebi que uma pessoa inteligente aprende com seus erros, mas uma pessoa sábia aprende com o erro do outro, por isso aprendam com o meu erro de como não se deve ser e viver, aprendam as grandes lições da escola da vida. Só agora dissecando o meu ser percebi que eu era autoritário e rígido por ser infeliz interiormente, me vi agora como uma pessoa porco espinho: agressiva por fora e frágil por dentro.
                 A verdadeira felicidade está na simplicidade, procuramos tanto essa tal da felicidade, quando na verdade ela mora e se esconde dentro de nosso ser, nós tentamos conquistar e seduzir a felicidade através do luxo fútil exterior, mas no final todo luxo vai para o lixo; ao morrermos não levamos nada a não ser a vida que levamos e o legado que deixamos do útero ao túmulo a única coisa que realmente existiu e sempre existirá e que irá nos libertar é o amor.
                 Eu sempre me preocupei com valores econômicos e tive poucos valores de vida, me preocupava muito com o ilusório mundo exterior e esqueci o meu fantástico e libertador mundo interior. Vivemos em uma sociedade que inverte os valores, fazem do consumismo e da ignorância uma escravidão mental, desculpe-me meus filhos, pois eu sempre os presenteei com brinquedos e muitos supérfluos materiais, mais nunca os dei atenção, afeto, carinho, nunca ouvi suas histórias, suas preferências, nunca penetrei no mundo de vocês, fui um pai no piloto automático, só agora descobri que o amor se compara a uma flor: Se não cuidamos, não regamos nossos entes queridos com afeto e carinho esse amor pode murchar como uma flor sem a água da vida. Desculpe-me meus filhos se eu os decepcionei, não havia dinheiro no cofre e nem nada material, neste cofre só guardei a verdadeira riqueza de toda minha vida, vocês meus filhos, que sempre trarei no coração, e um pouco da sabedoria que obtive durante esses meus últimos dias de vida. Nunca se esqueçam: Nunca é tarde para recomeçar. Após lerem a carta, João e Vítor decidiram fazer igual ao pai, se redescobrir se reinventar ser um eterno aluno na escola da vida, iriam se humanizar e serem eles mesmos, tiraram suas máscaras sociais, e como seu pai disse: Nunca é tarde para um novo recomeço.
TRECHO DO LIVRO 

LIVRO - MADONNA DI LORENZO



MADONNA DI LORENZO é uma história de amor que hoje em dia muita gente acredita que não existe mais. Com isso, ao escrever sobre esses amores impossíveis, além da sensibilidade, o poeta precisa acreditar no amor infinito. Assim, a história torna-se mais forte em sentimentos, ainda mais quando esses são transpostos da vida real para as páginas de um livro. Quando o amor é sincero e verdadeiro, como nas Cartas Poéticas, não existe situação difícil, pois se tem fidelidade, comprometimento e parceria. Quando se ama de verdade deve existir um só coração e duas pessoas. Que bom seria se o amor pudesse ser eterno, mas sabemos que o outro lado do amor, ou a indiferença, fere na alma, quando estamos sob o domínio da inveja, que culmina na traição. Mas, para que isso nunca acontece, precisamos aprender a enxergar a alma ao corpo, pois mesmo a alma sendo “transparente” a íris é “cristalina”, as cores mais vivas, mais vibrantes e o gosto do beijo transcende o mais alto grau da subsistência.  De certo que é preciso saber amar para poder viver, para poder viver além da vida, quando daí, verdadeiramente, poderemos afirmar com a mais absoluta certeza que o amor é eterno.
ANTONIO AUGGUSTO JOÃO

26 março 2016

LIVRO - RUA CINCO DE JULHO - 2a. EDIÇÃO

Depois de cantarmos parabéns para o Sergio, o baile começou. Num canto da garagem eu estava esquentando a parede, tomando um gole de Crush e olhando para a Nádia. Tinha muito mais meninos do que meninas e a disputa era grande. Como era o mais alto, as meninas não gostavam muito de dançar comigo. Muitas vezes, enquanto esquentava a parede, meu irmão Duduí dançava com todas, principalmente quando o baile era na casa da Agnes, que morava na mesma casa da minha avó, na Rua Albatroz.
                Naquele dia, eu havia dançado com algumas garotas do baile, mas a Nádia não queria nada comigo. Estava ficando chato e eu tinha tomado quase um litro de Crush e deu vontade de pegar a vitrola e ir embora, mas antes tive que ir ao banheiro. Na volta, a Nádia tinha ido embora e fui o único que não dançou com ela. No outro dia, na escola, a Cristina me procurou dizendo que a Nádia estava brava comigo porque eu não tinha tirado ela para dançar. Percebi a mancada e que as coisas tinham de ser diferentes. Eu deveria mudar as minhas atitudes. Mas, de tudo aquilo que aconteceu no baile, fiquei contente, pois aprendi que não podemos sempre esperar que as pessoas venham até nós, nós temos que ter iniciativa. Eu tinha só treze anos, sem que isso pudesse ser um motivo para deixar de corrigir as minhas atitudes.
              Depois, continuando e aprendendo com a vida, voltei à casa da Nádia e a convidei para assistir “Django Atira Primeiro” no Cine Soberano, e não é que ela aceitou. Para impressionar, na entrada, comprei Drops Dulcora e Bala de Anis e ela gostou muito. Ainda bem que meu pai tinha me dado vinte cruzeiros. Eu pedi quinze, ele me deu vinte. Valeu pai! Eu disse!
TRECHO DO LIVRO 

LIVRO - RESSURREIÇÃO

A doutrina da ressurreição do Salvador é extremamente preciosa. A ressurreição é a pedra angular do edifício do cristianismo. É o pilar do arco da nossa salvação. Seria necessário um livro inteiro para mostrar todas as correntes de água viva que fluem desta fonte sagrada, a ressurreição de nosso querido Senhor e Salvador Jesus Cristo; mas saber que Ele ressuscitou, e ter comunhão com Ele como tal - relacionar-se com o Salvador ressurreto em conseqüência de uma vida restaurada; vê-lo deixar o túmulo como resultado de nós mesmos termos deixado o túmulo do mundanismo - é ainda mais precioso. A doutrina é o fundamento da prática, mas, tal como a flor é mais encantadora do que a raiz, assim também a prática da comunhão com o Salvador ressuscitado é muito mais encantadora do que a própria doutrina. Gostaria de fazê-lo crer que Cristo ressuscitou dos mortos para que cantasse isto, e de dar-lhe todo o consolo possível para que entendesse este fato com certeza e testemunho; mas, até lá, eu lhe imploro, não se dê por satisfeito.  Embora você não possa, como os discípulos, vê-Lo visivelmente, mesmo assim eu lhe digo para desejar ver Jesus Cristo com os olhos da fé; e, embora não possa, como Maria Madalena, "tocá"-Lo, mesmo assim você pode ter o privilégio de conversar com Ele, e saber que Ele ressuscitou, e que você mesmo foi ressuscitado Nele em novidade de vida. Conhecer o Salvador crucificado porque Ele crucificou todos os meus pecados, é muito bom; mas, conhecer o Salvador ressuscitado porque Ele me justificou, e entender que Ele me deu nova vida, tornando-me uma nova criatura por meio de Sua própria novidade de vida, é uma experiência ainda mais sublime: sem isto, ninguém ouse ficar satisfeito. Que você possa "conhecê-Lo e o poder da Sua ressurreição." Por que razão as almas ressuscitadas com Jesus vestiriam mortalhas mundanas e incrédulas? Ressuscita, pois o Senhor ressuscitou. 
TRECHO DO LIVRO

25 março 2016

LIVRO - PAIXÃO

Os olhos do centurião ficaram ainda mais pávidos e perturbados quando Jesus mal se levanta e é amparado pela sua mãe:
Meu filho.
Com imenso amor Maria olha para Jesus, e Jesus olha para a Sua Mãe; os Seus olhares encontram-se, e cada coração verte no outro a Sua própria dor. A alma de Maria fica mergulhada em amargura, na amargura de Jesus Cristo.
- Ó vós, que passais pelo caminho: olhai e vede se há dor semelhante à minha dor!
Mas ninguém repara e ninguém presta atenção; apenas Jesus. Cumpriu-se a profecia de Simeão: uma espada trespassará a tua alma (Lc II, 35). Na escura solidão da Paixão, Nossa Senhora oferece ao seu Filho um bálsamo de ternura, de união, de fidelidade; um sim à Vontade divina. Pela mão de Maria, talvez aquele centurião também quisesse consolar Jesus. Tudo no condicional, porque o escudo e a lança não eram símbolos de compaixão, mas sim, o que verdadeiramente aquele oficial poderia estar sentindo em seu coração:
Que bom seria se o amor pudesse ser mais forte ainda do que o é, e pudesse se manifestar, mesmo encaixotado, congelado e petrificado, como no coração do centurião. Só assim saborearíamos a doçura da Cruz de Cristo e abraçá-la-íamos com a força do Amor, levando-a em triunfo por todos os caminhos da terra.
Que mãe, porém amou a seu filho, tanto quanto Maria amou a Jesus? Ele que Lhe era Filho e Deus, ao mesmo tempo. Ao ver chegar o momento da Paixão e ao notar que faltava pouco tempo para perder o Filho, inundados de lágrimas permaneciam os olhos de Maria, um suor frio; causado pelo terror que lhe assaltava a proximidade da morte de Seu Filho, lhe cobria todo o corpo. Se juntássemos todas as dores do mundo, ainda não se igualariam às penas da Virgem Maria. Quanto maior era o sofrimento D’Ela, maior também a ternura com que O amava. Especialmente ao encontrá-Lo com a Cruz às costas, rumo ao Calvário.
E tão logo João diz à Mãe dolorosa que Seu Filho fora condenado à morte, e que Ele mesmo carregava a Cruz aos ombros para o lugar chamado Calvário (conforme João 19,17). Partiu Maria imediatamente ao encontro D’Ele.
A Mãe aflita tomou “um atalho para ficar depois esperando numa esquina pelo Filho atribulado”. E estando ali à espera D’Ele, “foi reconhecida pelos judeus e deles teve de ouvir injúrias contra seu amantíssimo Jesus”. Talvez tivesse também de escutar escárnios contra Si mesma. Mas, martírio sofreu e que espada de dor transpassou então a alma dessa Mãe dolorosa, ao ver e contemplar os funestos instrumentos de martírio, da morte de Seu Filho, que passavam em lúgubre desfile diante D’Ela! De repente, fere seus ouvidos um estridente som de trombeta; e leram a sentença da morte lavrada contra Jesus. Já desfilaram o arauto, os instrumentos do martírio e os oficiais de justiça. E, agora, Maria ergue os olhos e vê...
Ó Deus, um homem, na flor dos anos, todo coberto de sangue e de chagas, da cabeça aos pés, coroado de espinhos, carregando às costas um pesado madeiro, curvado ao peso ignominioso do instrumento de suplício.  
Maria, Sua Mãe, olha-O e quase não O reconhece mais... Ele é uma só chaga, as feridas, as contusões e o sangue enegrecido, desfiguram-No, só se vê sangue. E, ainda, é ligado com fortes e dilacerantes cordas, cercado de guardas, que com suas mãos criminosas, O arrastava, pelas ruas de Jerusalém, enquanto um único oficial apenas olhava com olhos hipnotizados de medo ou arrependimento – Sugeria o Sr. Herbert em sua descritiva narrativa.
Podíamos perguntar: quem é este Homem que mais parece com um verme pisado?
Ainda que fosse um criminoso ou réu de nefandos crimes merecia a compaixão dos corações humanos, ainda mais sendo Homem-Deus! Sim, o Deus que se fez Homem por amor a nós e que agora se encontra neste estado.
Que espada de dor transpassou mais ainda a alma da Mãe, ao ver a que estado lastimoso Jesus fora reduzido?
De um lado Maria desejava contemplá-Lo, de outro não tinha coragem de olhar para o Seu rosto, tão digno de comiseração. Maria não morreu, nem desfaleceu de dor, ali neste momento, por altos e sábios juízos da Providência de Deus. Mas Ela padeceu tormentos e Sua dor foi sem limites, que já seria suficiente para lhe dar mil mortes. A Mãe queria abraçar o Filho, mas os algozes injuriosamente A repeliam, e empurravam para diante o acabrunhado Salvador.
TRECHO DO LIVRO

13 março 2016

LIVRO - ALGUMAS CARTAS GUARDADAS NA MEMÓRIA - 2a. EDIÇÃO

Quando alguém que você ama some, desaparece de várias formas, logo vem à solidão. E com a solidão, vem a saudade. O coração em desalinho, então, desalimenta-se do combustível do amor, do carinho, do afeto, do corpo físico, da paixão...
            De tantos sentimentos, sinônimos do amor. A dor é muito forte e o único remédio que pode conter a saudade é o tempo. Mas esse é cruel. Morremos ansiosos pelas beiradas da alma, pelos cantos da razão ou pelo "tiro" no peito, "infarto agudo" do coração. Quem nunca sentiu saudade? Engana-se. Saudade eu tenho agora, neste instante, da última vez que falei com você, que olhei em seus olhos e murmurei: Te amo.
            Mas você não pode ouvir - Eu sei - Por isso eu sinto saudade. Saudade de quando chorei quando você nasceu, quando você disse "papai" pela primeira vez, quando você me disse "obrigado" por ter te ensinado o dever de casa. Saudade eu tenho de você meu amor.
            Mas Deus me mostrou o caminho.
            Ele me ensinou que você veio para me engrandecer, elevar o meu espírito e poder ser um portador do amor a quem necessite a todos meus irmãos da vida. Mas eu sinto saudade. O que posso fazer? Quando você esteve em mim, no leito em que eu me derramava de dor, foi como um sonho... Foi num sonho que Deus enviou você do lado do meu leito para que as minhas chagas pudessem ser estancadas e que o meu coração pudesse se reabastecer de amor.
            Daí em diante, como em tantas outras vezes, Deus provou-me que existe, pois trouxe você de volta pra me acalentar, pra me curar. Então, como não posso sentir saudade, se eu olho do lado do meu leito e não vejo mais você? Foi só num sonho. Eu precisava deste sonho e "Deus me fez sonhar". Peço perdão a Deus, pois não sou digno de sentir saudade e as lágrimas que escorrem do meu rosto quando escrevo este texto, são de alegria e contentamento por saber que você está ao lado de Deus assim como esteve ao meu lado, quando precisei. Você esteve me olhando e me cuidando por interseção de Deus.
            E com isso meu coração novamente se encheu novamente de felicidade, de amor em abundância que posso dividir com tantos amigos, com tantos parentes, com meu filho, meus irmãos e com você que está lendo esse texto. Todos cabem aqui dentro. Meu coração não é meu. Ele é do tamanho do mundo e estará sempre disposto a doar o amor, seja pra quem for.
TRECHO DO LIVRO

06 março 2016

LIVRO - A HISTÓRIA DE COLBI EDUARD RYAN 2a. EDIÇÃO

No dia seguinte, uma chuva rápida pela manhã, mas logo o céu voltou de brilho intenso. Com o mar em águas calmas, resolvi ir nadando até os rochedos. De lá, tinha-se uma vista fascinante do encontro do mar com o céu – Uma obra de arte de Deus. Depois de ter ido e vindo por várias vezes da praia até os rochedos resolvi dar um mergulho mais profundo, até onde meus pulmões pudessem aguentar. Impressionante como era magnífico ver tudo aquilo. E num ponto distante dos rochedos até a ponta da praia, avistei entrando no mar, ela, a Sereia. Parecia que andava sobre as águas e mergulhava em câmera lenta. Naquele dia estava decidido em me aproximar e saber quem era de onde vinha, o que fazia... Por que sumia daquela maneira, por que estava sempre sozinha. Enfim, desvendar o mistério daquela mulher fascinante. Mas os dias se passaram e eu não conseguia me aproximar da Sereia. Era muito estranho: Toda vez que avistava, ela estava de olhar sereno, adocicado, parecia que me vigiava à distância, que seguia os mesmos passos, mas que por incrível que poderia parecer, nunca existiu uma situação em que eu pudesse conversar com ela. Era incrível, mas a pura realidade.

TRECHO DO LIVRO 

21 fevereiro 2016

LIVRO - ANTES QUE TERMINE O DIA


    Eu sei onde você está e quando chegar a hora, antes que termine o dia, eu vou te buscar. Já estou preparado, escrevi os livros que você pediu e vamos ler juntos. Vamos chorar muito, pois as páginas dos livros estão cheias de lágrimas, feito papéis borrados, mas ainda se pode ler várias vezes EU TE AMO! No dia que nos encontrarmos será sempre o nosso aniversário. Deus vai abrir a porta e segurar em minha mão até que eu entre. Eu vou entrar correndo, porque a saudade fez um buraco enorme em minha alma que dói todos os dias. Vai ser fácil te encontrar, pois eu vejo você todos os dias em meus sonhos e você está sempre sorrindo. Alem disso, eu sou você e você está em mim... E na hora que te encontrar, você vai correr em meus braços, vou olhar em teus olhos e como criança te girar no ar! Quem sabe, se Deus deixar, voaremos juntos para algum lugar, pra bem longe, pra nunca mais voltar!

    TRECHO DO LIVRO

24 janeiro 2016

LIVRO - RUA CINCO DE JULHO - PARTE II - BURACO NA ALMA NO CAMPO DE SONHOS

O número 316 apareceu no painel da recepção. Eu seria o próximo a ser atendido, a fazer os exames. Lembrei-me de quando minha mãe me levava aos Sanatorinhos na Rua dos Patriotas. Eu era muito pequeno, não entendia nada, não entendia o porquê de estar ali, naquela fila, esperando um homem vestido com um avental branco me examinar. Minha única preocupação era segurar a minha bola de capotão que não largava nem para dormir. Debaixo da minha cama, lembro-me muito bem que existia um penico e minha bola de capotão, além do meu bamba branco, para jogar futebol e fazer educação física. Certo dia, escondido atrás da porta, ouvi uma conversa da minha mãe com o meu pai, onde minha mãe dizia que precisaria me levar num outro médico, pois no Sanatorinhos não tinham recursos e eu tinha que cuidar de uma “doença” que eu tinha no coração. Ouvi minha mãe dizendo que eu tinha “sopro no coração”. Depois de alguns minutos refletindo e tentando entender aquela conversa dos meus pais, passei pela sala de estar e debaixo da mesa de jantar peguei minha bola de capotão e disse à minha mãe:
          - Mãe, posso ir jogar futebol na rua?
          - Pode sim meu filho!
          - Se eu cair, me machucar, você passa mercúrio e “sopra”?
          - “Sopro” sim meu filho, “sopro”... Pode ir!
          Da poltrona da recepção, via alguns meninos jogando futebol na rua lateral ao laboratório. Chutavam uma bola de capotão velha, com os gomos descosturados, jogavam sem camisas, como fazíamos na Rua Cinco de Julho.  O painel ainda exibia o número 316 quando ouvi uma voz grave chamar o número 317, eu. O painel havia quebrado e chegara a minha vez de fazer os exames. As memórias da minha infância estão sempre vivas, às vezes, me sinto como um menino, mesmo sem ter mais a minha bola de capotão debaixo da cama, do tênis bamba não existir mais e da minha mãe  não estar mais aqui para “soprar” o meu coração!  Talvez o meu melhor remédio, na minha vida inteira, foi a liberdade de viver colado junto a minha bola de capotão, de brincar na Rua Cinco de Julho, de sonhar em marcar um gol decisivo numa partida de futebol.
Trecho do Livro


LIVRO - ESTADO DE JÓ - DOR E SOFRIMENTO

QUANDO TUDO DÁ ERRADO

          Imagine um dia que começa como qualquer outro. Você se levanta para ir ao serviço e, chegando à firma, encontra as portas lacradas. A firma fechou, sem aviso. Você, inesperadamente, ficou desempregado. Tendo obrigações para cumprir, você decide ir ao banco para sacar dinheiro e pagar algumas contas que estão vencendo. Mas, chegando ao banco, eles dizem que sua conta foi fechada, sem explicação, e que você não tem nenhum centavo. O dia já está piorando. Você resolve voltar para casa, ainda tentando entender o que está acontecendo. Chegando perto de sua rua, você percebe vários bombeiros e ambulâncias correndo por todos os lados. Suas vizinhas estão na rua, chorando inconsolavelmente. Antes de você chegar até sua casa, um dos vizinhos chama você e fala palavras que jamais esquecerá: "Aconteceu tão rápido", ele diz, "que não foi possível salvar ninguém. A casa, de repente, explodiu. Todos que estavam dentro morreram. Eu sinto muito. Todos os seus filhos estão mortos."

          Alguns dias passam. Você acorda num lugar estranho. Olhando para seu redor, percebe que está num hospital. Você está sentindo dores terríveis, e uma coceira constante. Depois de algumas horas de sofrimento, a enfermeira avisa que está na hora de visita. No seu caso, várias pessoas serão permitidas entrar para visitá-lo. A primeira pessoa que entra no quarto é sua esposa. Precisando muito de uma palavra de consolo e de explicação, você olha para ela com tanta esperança, nunca imaginando o que ela vai falar. Ela chega perto da sua cama e começa a gritar: "Eu não entendo a sua atitude", ela diz. "Sua fé não vale nada. Você confia num Deus que fez tudo isso? Amaldiçoe o nome de Deus e morra!" Com essas palavras, ela sai do quarto. Enquanto você procura entender tudo isso, chegam alguns amigos seus. São velhos amigos, sempre prontos para ajudar. Agora será consolado! Mas, eles entram no quarto, vêem seu estado crítico e seu corpo desfigurado pela doença, e não falam nada. Ficam com a boca aberta, olhando, mas não acreditam. Depois de um longo período de silêncio, um deles fala: "Você mereceu isso. Você deve ter feito alguma maldade muito grande, e Deus está te castigando. Ele tirou todos os seu bens e matou seus filhos. Ele causou esta sua doença. Ele fez tudo isso porque você é mau!" Você começa discutir quando um dos outros concorda com o primeiro, e depois outro também concorda com eles. Não adianta discutir. Para eles, você é um detestável pecador que deve sofrer mais ainda.

          De repente, algumas crianças passam no corredor. Você se anima, porque crianças sempre trazem alegria e amor. Mas, estas crianças param na porta, vêem a feiúra do seu rosto e corpo, e saem correndo. "Nunca vi nada tão feio", uma delas comenta.
Tudo ficção? Jamais aconteceria uma coisa tão terrível? Modifiquei os detalhes para ajudar você, o leitor moderno, sentir na pele o que aconteceu na vida de Jó. O livro de Jó é, possivelmente, o primeiro livro bíblico escrito. Um homem fiel e abençoado por Deus perdeu, num dia só, todas as suas posses e todos os seus filhos. Logo depois, foi atacado por uma terrível enfermidade. A própria esposa foi contra este homem de Deus, e disse: "Amaldiçoa a Deus e morre" (Jó 2:9). Os amigos o condenaram e discutiram com ele para provar a sua culpa (a maior parte do livro relata essas discussões, começando no 2:11 e continuando até 37:24). Todos os conhecidos dele, até as crianças, o desprezaram (19:13-19).
          O livro de Jó trata de um dos assuntos mais difíceis na experiência humana: como entender e lidar com o sofrimento. É um livro rico e cativante que todos os servos de Deus precisam estudar. Um dia, mais cedo ou mais tarde, ele será útil na sua vida.

Trecho do Livro 

LIVRO - RUA CINCO DE JULHO - BURACO NA ALMA NO CAMPO DE SONHOS

LANÇAMENTO EM FEVEREIRO 2.016
Quando me deitei naquela noite sentia dor em todo o corpo, razão pela qual quão grande foi o meu esforço o dia todo. Ao sentir que o sono estava chegando, via alguns fleches de luzes amarelas que cansavam meus olhos. Vinha em minha mente o gol incrível que eu havia perdido e a grande defesa no nosso goleiro Cação. Todas as noites, antes do sono chegar, pensava como seria marcando o gol do título, numa grande final de campeonato, ainda mais que na única final que eu havia disputado na vida, perdemos de três a zero. Lembrei-me da tristeza que foi quando perdemos o jogo e o título. Lembrei-me do meu amigo Ratinho, que driblou o goleiro, me deu um passe açucarado e chutei pra fora. Lembrei-me também que ele havia sido chamado por Deus uma semana após perdermos o título, e com nove anos de idade, foi muito difícil eu entender. Sonhava com ele quase todos os dias e no sonho, ele me passava a bola e eu devolvia pra ele marcar o gol.
                   Sonhar com pessoas do passado é muito comum. Essas pessoas podem ser aquelas pessoas que gostávamos ou não e que se foram, faleceram. Estes tipos de sonhos têm um significado simbólico. Algumas das pessoas nesses sonhos podem simbolizar características e traços de personalidade semelhantes ao seu ou representam aspectos sobre si mesmo que você gosta ou não. Se você sonhar com alguém que você conheceu que era muito agressivo essa pessoa pode representar a sua própria agressividade ou representar alguém que está sendo agressivo com você agora. O que este tipo de sonho está tentando lhe dizer sobre você mesmo ou outras pessoas em sua vida?
                   Se você sonhar com amigos da sua infância, isso pode significar que você tem saudade de um tempo passado, quando você tinha menos pressões e responsabilidades. Também pode simbolizar o estresse ou pressão que você teve em sua própria vida enquanto crescia. Alguns desses velhos amigos podem representar esses estressores. Na verdade, você pode estar enfrentando esses mesmos fatores de estresse em sua vida de vigília adulta (seja em um relacionamento ou no seu emprego), como ocorria quando você era uma criança. Estes velhos amigos de seu passado também podem lembrá-lo de algumas pessoas com os quais você está lidando em sua vida diária atual, tanto seus olhares, comportamentos ou ações - boas ou ruins. Às vezes os sonhos com amigos de infância indica que você teve alguns negócios inacabados com essas pessoas (como o passe que recebi do Ratinho e chutei pra fora), pode representar algo que você gostaria de ter feito diferente. Além disso, pode haver alguém em sua vida de vigília agora que desperta os mesmos sentimentos dentro de você. Se você sonhar sobre as pessoas que o magoaram, eles podem aparecer quando você está enfrentando pressão de desfazer em sua vida de vigília. Talvez você só pode estar faltando a pessoa no seu sonho, ou que tipo de amizade valorizado. Se você está tendo sentimentos de fracasso em sua vida atual e você tem velhos amigos que você sabe que se tornaram mais bem sucedidos do que você, seu subconsciente pode trazê-los em seu sonho por causa de seus medos, inadequações e ciúmes.
                   Às vezes, velhos amigos que você teve um desentendimento aparecem em seus sonhos. No sonho você tentar abordá-los de uma forma amigável, mas é rejeitado. Isto pode representar sentimentos de culpa, tristeza e perda, ou que você nunca se reconciliou. Às vezes, esses sonhos podem ser recorrentes, que pode estar provocando ansiedade e irritante.
Sempre olhe para as situações que acontecem com as pessoas em seus sonhos. Ao fazê-lo, isso vai ajudar você a entender as mensagens que o sonho pode estar enviando sobre si ou sobre o seu relacionamento com os outros.
                   Eu quis muito pedir uma bola nova ao meu pai no dia do meu aniversário, mas estava mesmo precisando de um tênis novo. O meu bamba branco estava todo detonado no bico de tanto chutar no gol. Eu gostava de chutar de longe, testar o goleiro, surpreendê-lo e, assim, não havia tênis que resistia. Comprar um Ki-Chute nem pensar; Era muito caro e eu tinha medo de pedir para meu pai. Meu pai dizia que o Ki-Chute era “pra gente rica”, mas me contentava com o tênis bamba. Fazer aulas de educação física, jogar bola na rua de terra, na quadra de cimento quebrado na escola... Sempre de bamba!
                   Acordei assustado na sexta feira, pensando ser sábado - Vai ter jogo decisivo contra os caras da Rua Marcos Portugal! Vieram me avisar logo cedo. O jogo seria no sábado. Fui ao banheiro e ouvi minha mãe conversando com minha Tia Isabel na cozinha. Senti aquele aroma doce do café que minha mãe fazia. Fui até a cozinha dar bênção à minha Tia, que me abraçou e me deu um caixa embrulhada em papel de presente.  Lembrei que era o dia do meu aniversário. Meus olhos se arregalaram quando olhei para minha Tia e minha Mãe com um sorriso largo no rosto. – Obrigado Tia Isabel!  Abri a caixa e meus olhos se arregalaram novamente quando vi o presente: Era tudo que eu queria ter: Um calção preto com uma listra branca vertical dos lados. Combinava com a minha camisa branca e meu meião também branco.  - Só falta um tênis novo. Disse, olhando para minha Mãe. Até então, a data do meu aniversário, apesar do presente, estava em segundo plano, afinal, no dia seguinte  teríamos um jogo decisivo contra os caras da Marcos Portugal e eu estava concentrado no jogo. Quando disse que faltava o tênis, senti um ar de melancolia na expressão facial da minha mãe. Tomei o meu leite com café e fui para a rua me reunir com os caras do meu time e combinar a estratégia para vencermos o jogo. No meio da rodinha com os amigos, percebi que minha mãe havia saído à francesa de casa. Foi em direção a Rua Vergueiro, no ponto 22, onde tinha comércio, padaria etc. Depois de quase uma hora, percebi minha mãe entrando de fininho em casa segurando um pacote. Pensei no bolo, afinal, apesar de não me fazer importância, era o dia do meu aniversário, mas tinha o jogo contra os caras da Rua Marcos Portugal e valendo flâmula!
                   Continuei conversando com os amigos e observando a garoa fina que começara a cair. A Rua Cinco de Julho era de terra e se a garoa apertasse teríamos que decidir o jogo no barro. Imaginei como ficaria a cor da minha camisa e do meu bamba, brancos. Ao colocar os meus olhos de frente à Rua da Transmissão me veio várias pessoas à mente. Várias situações, muitas festas, muitas alegrias e você que está lendo esse livro pode ter certeza que me lembrei de você, na Rua Cinco de Julho:
                   Quando anoitecia, depois de voltar da escola e jogar o meu futebol na rua, minha mãe preparava o jantar e eu não tirava os olhos do prato do meu pai. Pensava um dia ser forte como ele para ter um chute possante e ser o artilheiro do time da escola. Após o jantar, subia as escadas e antes mesmo de chegar à rua, olhava para o céu e tentava descobrir diante de milhares de estrelas, qual tinha o mais intenso brilho e sonhava com um futuro alegre e pedia a Deus para que a minha família e os meus amigos sempre estivessem bem perto de mim. E daquele cenário eu não tirava os olhos da placa grudada no poste em frente à casa do Seu Mario e da Dona Vitalina, em que se lia RUA CINCO DE JULHO.
                   E as lágrimas que caíam do meu rosto nas várias vezes que sonhava que estava brincando na Rua, se confundiam com a desilusão de ver minha bola de capotão estática, “sentada” no telhado da casa da Dona Geni, da Dona Alice, no quintal da Dona Violeta ou do Seu Valter, pai do Chico Louco, esperando o dia amanhecer para que de uma forma ou de outra eu pudesse tê-la novamente em minhas mãos, em meus pés, mesmo mordida pelos cachorros, para que ela pudesse ser o complemento de tantas histórias que eu viveria no templo sagrado chamado RUA CINCO DE JULHO.

                   - Tinho! Vem pra dentro! Tá garoando!
Minha Mãe estava me chamando. Resolvi entrar e descobrir o que ela tinha ido fazer no ponto 22. Entrei em casa correndo, sem antes dar uma volta no pé de limão que ficava bem no meio do quintal. Entrei na cozinha numa vula e dei de frente com minha Mãe segurando uma caixa.

                   - Tome meu filho! É pra você!
Era uma caixa contendo um par de bamba branco, novinho, número trinta e cinco! Dei um longo abraço em minha Mãe, afinal, era o dia do aniversário dela também, nascemos no mesmo dia. Não demorou muito tempo e fui para a Rua com o tênis no pé, calção preto que ganhei da minha Tia Isabel e minha camisa branca. Apesar da garoa, minha mãe não achou ruim, pois afinal era dia do nosso aniversário.
                   Meu irmão trouxe a bola de capotão e começamos a brincar na Rua. Não demorou também para estarmos todos sujos de barro, mas aquele dia, minha mãe poupou a bronca.  
                - Tinho! Vem tomar banho! Tá na hora de ir para a escola!
Entrei correndo em casa, tomei banho, coloquei o uniforme do Grupo Escolar Professor Odon Cavalcanti e fui para a escola. Chegando à sala numero dois, a Professora Julieta estava com um sorriso largo no rosto. Foi só me sentar que todos se levantaram e começaram a cantar parabéns a você!

          Foi então que caiu a minha ficha. O fato de termos jogo decisivo no sábado contra os caras da Rua Marcos Portugal, valendo flâmula, fazia com que eu me esquecesse de que era o dia do meu aniversário. Recebi os cumprimentos de todos os meus amigos e sai da sala para ir até a copa buscar uma faca para cortar o Bolo Pullman que minha mãe havia enviado para os “parabéns a você”. 
Trecho do Livro
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