22 novembro 2015

ERA UMA VEZ... UM POETA!

Na minha vida inteira, sempre que me sentia alegre ou triste, tinha uma caneta na mão, um pedaço de papel e muita imaginação, sensibilidade e inspiração para escrever meus sentimentos, ditados pela batida do meu coração. De certo, tive mais tristezas do que alegrias, mas, estas tristezas me ensinaram a viver, a lutar, buscar um novo amanhã e nunca desistir de ser feliz. Felicidade tive algumas, como quando senti o amor pela primeira vez, quando escrevi mesmos primeiros versos, formei minhas primeiras rimas... Quando meus anjos nasceram. Algumas tristezas me deixaram bem perto do meio fio da desilusão, mas sempre tive forças pra me levantar, reerguer, mesmo sem a ajuda de uma mão salvadora, igual aquela que me fincou o punhal pelas costas.  Ainda bem que sempre estive bem perto da mão divina, daquela que me ensinou amar e entender a vida do jeito que ela é... Às vezes cruel, ingrata, injusta... Mas, bela, fascinante e intrigante, como o suspense de um conto, as metáforas de um poema e a sutileza das Crônicas, dos Versos e da Vida, minha primeira obra-prima. De tudo isto, continuo a escrever a vida em forma de poesia, de poemas, crônicos e contos e relutando e dizendo que: Felicidade não exista. O que existe na vida são momentos felizes...
TRECHO DO LIVRO

 

MADALENAS

Ao apagar as luzes da sala do confessionário depois de mais uma noite de atendendo aos fiéis, Padre Domingos se despediu das irmãs Catarina e Noêmia e se recolheu na casa paroquial. Antes de dormir, abril um livro onde existiam vários textos sobre as passagens bíblicas e leu:
          A cena era comum e repetia-se diariamente quando Jesus visitava Jerusalém: Ele ia de madrugada para o monte orar e depois, bem cedinho, já estava no Templo, onde se sentava para, com a autoridade de um Mestre, ensinar a lei ao povo que ouvia com muita expectativa. Naquele dia, entretanto, enquanto Jesus proferia sua aula sobre a lei, começa-se a ouvir um barulho até que Jesus silencia, enquanto escribas e fariseus apresentam um caso muito sugestivo, uma vez que o assunto discutido ali era a lei! Eis o caso: Uma mulher apanhada em flagrante adultério. De um lado, Jesus precisava lidar com a lei de Moisés que dizia que tais pecados deveriam ser punidos com a morte – e ele já havia dito que veio para cumprir a lei (Mateus 5:17) –, de outro lado, lidava com a possibilidade clara de ensinar ao povo todo que a misericórdia triunfa sobre o juízo. Como ele poderia fazer as duas coisas ao mesmo tempo?
Vejamos o texto, então, para saber o que está em jogo, pois aparentemente Jesus está contra a parede aqui.
I – Escribas e Fariseus Tentam Acusar Jesus
O objetivo dos Fariseus e Escribas era claro: “6 Isto diziam ele para terem de que o acusar”. Eles trazem um caso teste para Jesus que teoricamente o deixaria sem saída: “Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério e na lei, Moisés nos mandou apedrejá-la. Tu, pois, o que dizes?
Não falemos sobre a falsa lisonja de chamarem Jesus de “Mestre”, para “terem de que o acusar”, mas foquemos na situação da pobre mulher, que ainda que pecadora e adúltera estivesse agora exposta de forma vergonhosa a “todo o povo” que estava ali. Todos assentados, inclusive Jesus, na sua posição de Mestre, exceto a mulher, que foi ali colocada “de pé”.
Imagine-se tendo seus pecados mais obscuros sendo expostos aos olhos de todas as pessoas daquela maneira que entenderá um pouco do que se passava na mente daquela mulher!
II – Eles Saem Acusados da Situação
Qual seria a resposta de Jesus? Se dissesse para não apedrejá-la, poderia ser acusado de quebrar a lei de Moisés; se mandasse apedrejar, deixaria de ensinar o valor da graça e do perdão, e, certamente, diminuiria a admiração, pois se igualaria aos fariseus na interpretação da lei.
Até porque em Levítico 20:10 e Deuteronômio 22:22-24 a lei mandava que ambos, homem e mulher fossem apedrejados, mas Jesus nem se utiliza dessa carta na manga.
Curiosamente ele fica calado e “se inclina para escrever com o dedo no chão”. Não nos interessa o conteúdo do que Jesus escreve, pois se nos interessasse isso seria informado pelo autor, mas isso causa uma animação nos acusadores que agora “insistem na pergunta”, como se tivessem vencido e encurralado o Senhor Jesus.
Enquanto toda essa trama acontece, a mulher ainda está estática, coitada, com todos os olhares nela. Até por isso, “Jesus se levanta” para dizer algumas palavras, depois “se assenta novamente e volta a escrever com o dedo no chão”; mas o que ele teria dito e feito que mudasse tão drasticamente a cena?
Primeiro, os acusadores queriam ter do que acusar Jesus, mas agora, “ouvindo eles a resposta e acusados pela própria consciência, saem um a um… ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava”.
Três coisas importantes aqui; primeiro Jesus se levanta da sua posição de autoridade para proferir as palavras, fazendo com que os olhares saíssem da mulher e se virassem para ele. Depois ele se assentou, mostrando que sua autoridade independe de posição ou posto – mas vemos a compaixão de Jesus quando ele chama a atenção de todos para si (veremos mais sobre isso no último ponto).
Segundo, eis as palavras que ele profere: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra”. Porque apenas essas palavras causariam tanta comoção? Bem, no original percebemos que Jesus estava lidando com aquele adultério, especificamente (lit. este pecado), o que indica que tudo foi organizado pelos escribas e fariseus exclusivamente para pegar Jesus. A mulher foi apenas uma prostituta paga e usada naquele caso; mas também era lei em Israel que aqueles que denunciavam um crime, jogassem a primeira pedra se fossem inocentes, pois isso seria um privilégio. Mas como não eram inocentes, saíram dali cabisbaixos.
Em terceiro lugar, Jesus cumpre a lei em não apedrejar a mulher, pois segundo o próprio livro de João, os mesmos escribas e fariseus, quando pedem a Pilatos que crucifique Jesus; e Pilatos os manda julgar pela própria lei dos Judeus, eles respondem, por estarem sob o jugo de Roma: “A nós não nos é lícito matar ninguém” (João 18:31).
III – A Mulher Ainda Tinha a Acusação Contra Ela
Resolvido o problema entre Jesus e os fariseus que foram mais uma vez humilhados pela verdade e sabedoria de Jesus, a mulher ainda estava ali, seminua, envergonhada, exposta a toda sociedade de Jerusalém.
Muitos podem se identificar com os acusadores até esse ponto. São ávidos em apontar os erros dos outros, mas esquecem que muitas vezes cometem exatamente aquilo que condenam. Que essa hipocrisia seja extirpada do nosso meio.
Mas alguns dos leitores podem se identificar aqui com essa mulher. Se esse for o seu caso, se você percebe que é pecador(a), saiba que todos os olhos desse mundo não podem ser mais perigosos que os olhos daquele que estava diante daquela mulher.
Ele era o único que poderia atirar todas as pedras e ser absolutamente justo, mas o texto diz que em vez disso, mais uma vez “erguendo-se Jesus”, começa a dialogar com a aquela mulher.
Seus olhos, em lugar de ódio e julgamento, naquele momento foram de compaixão e perdão: “Eu tampouco te condeno”. Mas note que essas palavras de Jesus teriam drásticas conseqüências. Pois ele ainda tinha a lei que condenava aquela mulher para o inferno, assim como condena-nos por causa dos nossos pecados.
Quando Jesus mais uma vez se levanta, “não há mais ninguém ali além da mulher”, então ele se levanta para mostrar a ela que suas palavras de perdão o levaria ao lugar dela. Ele não seria meramente apedrejado pelo adultério dela, mas a ira de Deus recairia completamente sobre ele, para que ele pudesse dizer aquelas simples palavras de perdão.
Você pode também, ao ler essa história, entender que Jesus graciosamente está se oferecendo para perdoar seus pecados, mas saiba que ele pagou de forma dramática na cruz, por isso é que “a cruz de Cristo nos constrange”.
Finalmente, não pense que o perdão de Jesus deixa você continuar na sua vida de pecado. Assim como aquela mulher teve a sua vergonha e a sua culpa cobertas por Jesus, pois ele levou sobre si; ela saiu dali com a sua vida transformada.
Jesus disse a ela: “agora vai e não peques mais”. Faça você o mesmo. Você que agora tem a sua consciência pesada por causa do seu pecado, lance tudo sobre Cristo, pois ele tem cuidado de nós. E aprenda a delícia que é andar em novidade de vida! Note que as únicas palavras dessa mulher foram: “Ninguém Senhor”, o mesmo é suficiente para você aprender que se Cristo libertar e salvar você, o seu passado é completamente esquecido por ele; afinal, ainda que sejamos sujos de pecado, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
TRECHO DO LIVRO

01 novembro 2015

O AMOR



Se perguntarmos na rua “é melhor amar ou não amar?”, provavelmente as respostas não variam muito: “é melhor amar”, “amar é bom”, “amar faz-nos bem”. Mas se a seguir perguntarmos “e o que é o amor?”, teremos quase tantas respostas diferentes quantas pessoas… “quem sabe é o coração!” Parece que nunca como hoje o amor foi tão enaltecido, falado, sublinhado, desejado, cantado, apresentado como a melhor coisa. Mas, provavelmente nunca como hoje, o ser humano se viu tão confuso e baralhado na hora de dizer o que é o amor. Nós sabemos! Não somos melhores que ninguém. Mas sabemos. O Senhor disse-nos o que é o verdadeiro amor. Disse e mostrou. Amou-nos. Ama-nos. Nós também dizemos que o amor é importante, o mais importante. Dizemos mais: Com Jesus sabemos que o amor entre nós será o sinal de que somos cristãos. Mas qual amor? Sermos boas pessoas, bem comportadas? Sermos amigos dos nossos amigos? Termos interesse e simpatia por quem sofre e precisa de nós? Tudo isso pode ser importante, mas Jesus o que diz é muito mais: é como Ele nos ama que somos chamados a amar-nos uns aos outros. Então a primeira coisa a fazer é calarmo-nos diante do seu amor por nós, contemplar esse amor, em silêncio de adoração. Como é possível um amor assim? Só dom, só oferta, só entrega de vida até dar a própria vida. Deus é amor. Isso vêmo-lo em Jesus. Ele não só nos tem o amor supremo, Ele é o Amor. E é com Ele que nós vamos percebendo cada vez mais como é o amor autêntico, verdadeiro. Não o amor das novelas, não o amor mesquinho, não o amor que espera retribuição. Dizem-nos Amar é dar e receber. Fica bem nos postais, mas é mentira. Amar é dar, amar é dar-se. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos que ama, disse e fez Jesus. E este mandamento que nos deixa – Como Eu vos amei… Amai-vos – aparece na altura em que Jesus já sabe que a sua morte estava para acontecer, aquela morte sofrida, mas ao mesmo tempo livre. Uma morte por amor, em amor, que o amor resgata, saindo vencedor para oferecer gratuitamente vida.  Como é o nosso amor? Um amor pequenino, calculista – dou para que me dês. Sempre misturado com grandes doses de egoísmo, à espera do aplauso, do reconhecimento e da retribuição. Mas esse não é o verdadeiro amor, o amor digno desse nome. Só Jesus tem esse amor puro e autêntico. E nós que queremos ser seus discípulos não podemos deixar de obedecer a este mandamento, porque sabemos que assim seremos felizes. O que fazer? Vamos aprender de Jesus? Mas o que Ele nos disse não foi para nos aproximarmos aos poucos do seu amor, da sua forma de amar… Disse para nos amarmos como Ele nos amou. Ai de nós! Como poderemos alguma vez amar assim, na medida da cruz, deixando-nos matar, se preciso for, por aqueles a quem somos chamados a amar? Será que Jesus brinca conosco? Será que é uma forma de dizer? Será apenas poesia? NÃO! É verdade, é possível amar assim… Se e só se Ele nos der o Seu amor. Se Ele puser no nosso coração o amor aos outros. Aos que são dos meus e aos que são dos outros. Aos que gostam de mim e aos que não gostam. Àqueles de quem eu gosto e aos que me são insuportáveis. Aos que me fazem bem e aos que me fazem mal. Aos amigos e aos inimigos. Ao longo da história quantos homens e mulheres experimentaram este amor, acolheram-no e, por isso, viveram-no com os outros! Foram chamas de amor para os outros, no serviço, no dom. Mas também hoje é possível este amor que tudo renova, que constrói e que salva. Esta Palavra é igualmente para os dias de hoje. É para qualquer um de nós. Não precisamos estar à espera de nenhum dia especial. Hoje mesmo somos chamados a escutar esta palavra e a acreditar que Jesus tem poder para fazer acontecer em nossas vidas. Melhor, só Ele pode cumprir esta palavra, só Ele tem o Espírito, Deus Amor, que derramado nos nossos corações nos faz amar até ao fim, ou seja, sempre e sem guardar nada para si próprio.
TRECHO DO LIVRO

02 junho 2015

APARTAMENTO 173



Na manhã seguinte acordei atrasado e sentindo uma leve dor de cabeça. Resolvi tomar meu café na repartição, mas o aroma que vinha do rol quase me fez invadir o apartamento vizinho, o 173, pois foi de lá que senti o aroma de café.Ao fundo, suavemente, ouvia-se a música I Loves You, Porgy , de Nina Simone. Peguei o elevador ainda sentindo o aroma do café e descobrindo que o vizinho do 173 sabia fazer um delicioso café e gostava de ouvir Nina Simone. Na saída perguntei ao porteiro sobre os meus vizinhos e ele me passou que os apartamentos 171 e 172 estavam desocupados e constatei que meu único vizinho era o Apartamento 173. Talvez um casal em que a esposa deveria estar fazendo o café para o marido, antes de ele sair para o trabalho e que ambos adoravam Nina Simone.A minha rotina de trabalho era estafante. Muitos processos sobre a mesa me aguardavam para serem analisados e despachados. A primeira coisa que fiz quando cheguei à repartição foi pegar um café para tomar, pensando no café da minha vizinha. Será que era uma senhora? Resolvi que naquele dia, após o expediente, deveria bater à porta do apartamento 173 e me apresentar. Afinal, quando se mora sozinho, é sempre bom ter um vizinho que conheça seus hábitos para que você possa ser acudido numa emergência.A tarde chegou e encerrei meu expediente na repartição. Aquela leve dor de cabeça persistiu o dia todo e ao chegar em casa, troquei de roupa e fui fazer a minha caminhada na praça que ficava em frente ao prédio do Edifício Parque das Estrelas. Depois de alguns minutos de caminhada, resolvi sentar-me no banco da praça para descansar. Ainda sentia aquela leve dor de cabeça e comprei uma garrafa de água gelada para me refrescar. Subitamente, sentou-se ao meu lado, no mesmo banco da praça, uma mulher exuberante.Era uma mulher madura, acredito de seus trinta a trinta e cinco anos. Por alguns instantes acabei que confundindo em definir qual era o perfume mais sedutor, se o da mulher exuberante que sentou ao meu lado ou de todas as rosas que brotavam no jardim atrás do banco da praça.A minha dor de cabeça passou de repente e fiquei ainda mais fascinado quando nossas coxas se encostaram naquele banco de praça apertado. Tentei flertar seus olhos, mais os óculos de sol tinham lentes gigantescas, que impediam de eu ver seus olhos e o desenho de seu rosto.Suspirei, tomei um gole de água e fiquei ainda mais fascinado quando aquela mulher exuberante se levantou para ir embora e puder ver o formato de suas nádegas dentro de um moletom de lycra que desenhavam seu corpo de cerca de um metro e setenta e cinco centímetros, e que sincronizados, embalavam tamanha exuberância, exalando um perfume hipnótico muito mais sedutor que o perfume de todas as flores daquele jardim.
TRECHO DO LIVRO

01 junho 2015

QUE SE QUEBREM AS ONDAS DO MAR


...O que me restou foi um casebre abandonado e fechado, uma cabana velha, um jardim como nunca visto e uma paisagem magnífica em que eu podia ver as ondas se formarem, avançarem em direção aos rochedos e se quebrarem, como num sincronismo, como se aquilo determinasse o tempo, um ciclo de vida, uma rotina, como se aquilo fosse o relógio da minha subsistência. Alguns dias depois resolveria visitar o casebre. Queria alguma pista de tudo aquilo e de Billy, principalmente. Estava toda fechada e por algumas frestas podia ver que estava tudo bem arrumado, como se ainda tivesse alguém morando. Tentei abrir a janela, mas existia um trinco difícil de ser aberto. Quando apontei na porta da frente, notei que estava semi-aberta e com a força do vento, acabou se abrindo justamente quando eu acabara de me aproximar. Assim, entrei no casebre. Logo na entrada senti uma sensação agradável, certo conformo, como se aquele lugar fosse sagrado. Andei vagarosamente pelo casebre reparando cada detalhe. Os móveis estavam todos alinhados e quando cheguei ao quarto tive uma sensação de arrepio ao ver a cama onde a velha senhora esteve agonizando. A cama estava devidamente arrumada, com roupas novas e perfumadas. Os raios de sol clareavam o quarto de tal maneira que refletiam cores ao ambiente. O único detalhe que me perturbou foi o porta retrato que vi caído no chão. Talvez pelo vento, talvez no calor daquela reunião misteriosa que havia acontecido antes do sumiço do Billy. Ao recolher o porta retrato do chão, notei que, nele, havia o retrato de uma mulher serena. De olhos dominantes, cabelos avermelhados, estampando um sorriso capaz de hipnotizar quem o visse. Jurei que já havia visto aquele sorriso, aquele ar sereno, mas não conseguia recordar. Sente-me na beirada da cama e fixei meu olhar no porta retrato retorcido e dobrado pela queda. Embaixo da foto um nome que com certeza seria daquela mulher que refletia seus olhos aos meus e mesmo que em lado oposto do meu alcance, remetia a mim toda a sua observância. Senti uma ansiedade imensa para saber o nome daquela mulher e tive que desarmar a foto do porta retrato para que pudesse vê-lo. Assim que consegui, fiquei por alguns minutos examinando cada letra daquele nome que magicamente me fazia remeter a uma sensação de paz, alegria, felicidade, contentamento e harmonia: Laura Mars. Esse era o nome que autografava o porta retratos e com certeza era o nome daquela mulher hipnotizante, diferentemente daquela velha senhora que havia definhado naquela situação até certo ponto sinistra em que resultou no desaparecimento do Billy. No dia seguinte, ainda intrigante com o nome daquela mulher, resolvi voltar ao casebre, pois lá eu me senti bem e talvez recebendo um pouco mais de serenidade pudesse destrinchar o mistério daquela mulher. Assustadoramente, mirei-me ao jardim e já não existiam mais flores, os pássaros não faziam mais voos rasantes e por incrível que poderia parecer não existia mais o casebre, não existia mais nada. Deite-me na areia ceguei-me ao olhar para o sol escaldante e senti minha mente perturbada, confusa. Foi então que resolvi nadar até os rochedos na esperança maluca de poder encontrar Billy, de poder ter uma explicação para tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Um imenso mar azul à minha frente foi o que me restou.
TRECHO DO LIVRO

03 maio 2015

CARTAS PARA MINHA MÃE



Um dia destes, num domingo, sem mais nem menos, senti uma dor bem forte no peito. Minhas pernas tremiam, os olhos me faltavam, achei que ia morrer. Pensei em gritar socorro para alguém da minha família, rezar, pedir pela minha mãe... As luzes do quarto estavam apagadas, as janelas não refletiam o brilho do sol, os pássaros não cantavam e eu não conseguia ouvir o barulho da chuva como em todas as manhãs de outono.  A única coisa que me lembrava é que naquele dia era o dia das mães. De repente, me vi diante de Deus: Ele me perguntou o que eu tinha, o que sentia, porque eu estava tão angustiado e qual seria o meu pedido:

Daí, entre focos de luzes amarelas como se fossem raios de sol, eu vi tantos entes queridos me olhando e esperando para abraça-los. Com voz murmurante, eu disse a Deus:

- Eu vim buscar amor, felicidade e proteção.

Contar que a minha tristeza, com toda certeza,

Está me matando de solidão.

Eu vim abraçar minha Mãe... Posso meu Deus?

Estou com muita saudade e sonho com ela todas as noites!

Sei que ela olha por mim, que também sente saudade e que um dia vamos nos encontrar.

Mas agora, neste momento, eu queria um abraço e um beijo da minha mãe e dizer que a amo!

Então percebi que a dor no peito era de saudade, que minhas pernas tremeram, mas foi de emoção e que meus olhos faltaram de tantas lágrimas em oração para minha mãe querida. As dores e as lágrimas se cessaram com o estabelecimento do amor e carinho que eu e minha mãe sempre tivemos. Assim, pude perceber que eu estava no céu, mas eu não havia morrido. Cheguei ao céu pela força da oração, da crença e do amor. Deus me deu a oportunidade de abraçar minha mãe e meus entes queridos e pude aliviar a saudade e a tristeza. A fé move montanhas, o amor que existe em nossas famílias somado à força da fé e na crença em Deus Pai, Deus Filho e o Espírito Santo, pode nos levar ao céu e com a graça de Deus, estaremos em paz. A todo o momento que clamamos e oramos, Deus virá nos salvar! Eu creio em Deus e amo minha Mãe e minha família. E mesmo quando as lágrimas se transformarem em grandes correntezas, em ondas gigantescas de tristeza e quiserem me afogar, sei que Deus virá me buscar. Ele andará sobre as águas... Andará comigo sobre o mar...



“E como coisas de destino, voltei a sorrir como um menino, Deus tem tudo a ver com isso: Eu estava no colo da minha mãe. Isso sim é felicidade: Eu, minha Mãe, Deus e quem mais vier.”



ANTONIO AUGGUSTO JOÃO

ALGUMAS PALAVRAS - VOL. IV - TODAS AS MÃES

Daquela vez ela não quis nem saber e o fez dormir fora da casa humilde, de madeiras, forrada com placas de papelão para aliviar o frio que castigava as noites intermináveis. O vento e os respingos da chuva que invadia o pequeno cômodo faziam com que o menino, trêmulo, se afagasse no corpo da mãe mesmo debilitada e drogada, bêbada igual marido zumbi moribundo, “envenenados” na loucura das drogas e do álcool. E qual exemplo teria aquele menino que assistia de olhos arregalados àqueles filmes diários de perdição, melancolia e desespero?
          Mas o menino não se cansava de suplicar a Deus para que um dia tudo aquilo pudesse acabar e quando acabasse não seria também um morador de rua como sua mãe, como seu pai, e nem estaria envolvido com aquelas drogas pesadas – sonhava com dias melhores. Ele não queria ser um menino de rua, e sim, um homem com identidade e digno para viver. Que Deus possa me ajudar, dizia o menino, pois não queria se perder feito sua mãe e não queria ser um morto vivo como seu pai. Quando o pequeno menino se deparou novamente com sua mãe completamente drogada, suja, maltrapilho, poderia ignorar, chorar, correr... Desprezar, mas sua Mãe de Rua antes de se perder o ensinou a amar, ensinou que existe amor e que o amor pode ser pequeno, grande ou infinito. O pequeno menino não tinha forças, não conseguiria tirar sua mãe das ruas apenas com seu corpo físico, mas poderia tirar com os olhos que refletem e refletiam o amor através do coração, e isso ele conseguiu, mesmo que por um instante, até a próxima abstinência ou recaída, mas para o menino o que mais valia era “apenas” um instante de amor, para ter a certeza de que o amor existia.
          - Ó meu Deus todo poderoso e misericordioso! Eu enxergo o amor nos olhos da minha mãe, mas parece que o amor está preso, acorrentado, prisioneiro deste vício maldito. Mas as lágrimas da minha Mãe de Rua ainda pode ser o remédio da compaixão, da esperança, da perseverança. Enquanto eu tiver forças não vou abandonar a minha mãe e sei que ela está fazendo de tudo para não me abandonar, para não abandonar a si mesma, e é por isso que acredito no amor acima de tudo.
          Mas, se o amor perder a guerra, na certa eu vou chorar. Minha mãe de rua vai padecer, escafeder-se, mas mesmo assim não vou abandonar o meu Deus todo poderoso, não vou achar que meu Deus me abandonou, pois apesar de menino, eu tenho a consciência de que fiz o melhor e essa lição vou levar para a vida inteira, pois sei que meu Deus me ama e se me deu esse peso, essa sina, é porque fui escolhido como a “pessoa certa”, amém!
TRECHO DO LIVRO "!ALGUMAS PALAVRAS VOL.IV - TODAS AS MÃES"

14 abril 2015

A PAZ DE CRISTO



Jesus disse aos discípulos, “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou (João 14:27). Essa palavra teria de surpreender os discípulos; aos olhos deles, seria uma promessa quase inacreditável: a paz de Cristo se tornaria a paz deles. Estes doze homens haviam se maravilhado com a paz que haviam testemunhado em Jesus pelos últimos três anos. O Mestre nunca esteve com medo; esteve sempre calmo, nunca se alvoroçando por nenhuma circunstância. Sabemos que Cristo era capaz de ira espiritual. Às vezes Ele era provocado, e também sabia como chorar. Mas levou a vida sobre a terra como um homem em paz. Ele tinha paz com o Pai, paz em face das tentações, paz em tempos de rejeição e de zombaria. Ele até mesmo teve paz durante tempestades no mar, dormindo na beira do barco enquanto os demais tremiam de terror.Os discípulos haviam testemunhado Jesus sendo arrastado a um alto cume por uma turba enfurecida resolvida a matá-Lo. No entanto Ele calmamente se afastou da cena, intocado e cheio de paz. Eles tinham ouvido homens chamando o seu Senhor de Diabo. Líderes religiosos Lhe apontavam como fraude. Alguns grupos até conspiraram para matá-Lo. No entanto, em meio a tudo isso, Jesus jamais perdeu a paz. Homem algum, nenhum sistema religioso, nenhum Diabo conseguiria Lhe roubar a paz. Tudo isso deve ter causado discussões entre os discípulos: “Como Ele conseguiu dormir em meio à tempestade? Que tipo de paz é essa? E como conseguiu ficar tão calmo na hora que aquela multidão estava prestes a lançá-Lo no abismo? As pessoas zombam, insultam, cospem Nele, mas Ele nunca revida. Nada O perturba”. Agora Jesus estava prometendo a estes homens esta mesmíssima paz. Ao ouvirem isso, eles devem ter se olhado perguntando, “Quer dizer, vamos ter a mesma paz que Ele tem? Isso é incrível”. Jesus acrescenta, “Não vo-la dou como a dá o mundo” (João 14: 27). Não seria a assim chamada paz de uma sociedade entorpecida e com vícios. Nem seria a paz temporária dos ricos e famosos, que tentam adquirir paz de espírito com coisas materiais. 
TRECHO DO LIVRO "A PAZ DE CRISTO"
Antonio Auggusto João.

01 março 2015

70 x 7

PERDOAR:
Perdoar é fazer o melhor de si. É no pior momento da vida que precisamos dar o melhor de nós. Devemos lutar, perseverar, perdoar, não desistir. Esmeremo-nos no exemplo da rosa, que quando cortada, dilacerada e arrancada de seu leito, faz o melhor de si, exalando o mais agradável perfume da flor. 
APAZIGUAR:
Minha médica do coração pediu pra eu ouvir mais músicas, das que eu gosto. Minha primeira reação foi de surpresa, pois achei que acabaria numa farmácia comprando mais um tipo de remédio. Porém, ao chegar em casa, me deitei e liguei o aparelho nas músicas que mais gosto. Relaxei, sonhei e quando acordei ainda com o som das músicas, a arritmia havia cessado e o meu corpo estava mais leve. A minha médica tinha razão. Ela ainda me pediu para me desligar de notícias ruins, de pessoas que falam mal de outras pessoas e procurar sempre o que for bom, que dê conforto e prazer, pois afinal, quando nascemos, nossas mães nos deu a "LUZ"!
Antonio Auggusto João

20 fevereiro 2015

DEPRESSÃO

A Depressão é uma doença terrível e tem que se ter muita força de espírito para enfrentá-la. Essa doença aparece de repente e quando você percebe ela já invadiu a sua alma. Uns acham que é frescura, coisa pequena, mas a depressão atinge principalmente quem já sofreu no corpo e na alma grandes tragédias na vida. Para enfrenta-la é preciso ter muita fé e se apegar a Deus, seja qual forma for e mesmo assim existirão noites intermináveis, insônias, pesadelos... percevejos... E muitas pessoas enfrentam a depressão chorando, no colo da esposa, do marido, subindo ao alto do edifício ou ficando à beira do abismo. Diferentemente de todos, eu escrevo livros! Principalmente antes de dormir, para que os meus possíveis sonhos tenham finais felizes!
Antonio Auggusto João

17 janeiro 2015

CONVERSANDO COM DEUS



Escrevi na contracapa do livro Conversando com Deus, algumas palavras caladas para que pudesse agradecer, apenas agradecer. Sei que Ele me ouve, lê meus pensamentos e me protege, até quando os lobos feitos hereges tentam me enganar. Na contracapa escrevo: Meu Deus, esta carta é para o Senhor saber o quanto estou "decepcionado" com você. Afinal, não houve tantas tempestades para que eu pudesse salvar o meu amor. Não pude andar sobre as águas escusas para salvar quem tanto amei. A fúria dos vulcões foi apenas meu coração querendo entrar em erupção de tanto amor a quem você no meu caminho pôs. Meu Deus! Fazeis chover para que no meu jardim as rosas possam exalar o cheiro do meu amor, fazeis com que a correnteza das lágrimas de felicidades que chorei encontrem os rios de águas claras cristalinas, puras tão divinas, para eu poder matar a sede do meu bem. Deus, vou lhe chamar para lhe mostrar e conversar com meu amor. Você vai ver como fiquei depois que me apaixonei. Deus, quando encontrá-lo, vou lhe contar que conquistei a felicidade que tanto sonhei. Assim, pode esperar que verá uma alma que retrata um pedaço de mim, a pessoa que me completa e que me faz tão bem. Daí, vou confessar o quanto é bom amar. E é por isso que eu te amo e rezo para cuidar de mim, da minha vida, que apesar de tantas agonias, sou feliz sim, por nunca deixar de acreditar no Senhor! Amém!. >>>>> Antonio Auggusto João

TRECHO DO LIVRO "CONVERSANDO COM DEUS"

10 janeiro 2015

MADALENAS



Quando o padre chegou a assembleia naquela noite de quarta feira, levou um susto ao olhar para as cinco mulheres à sua frente. A noite parecia agitada. A Irmã Noêmia fazia a ficha das cinco mulheres por ser a primeira vez que compareciam na assembleia. Todos os fiéis eram fichados para controle de suas necessidades, onde moravam, quais eram os principais problemas, angústias e aflições para que o padre e sua equipe de voluntários pudessem auxiliar a da melhor maneira possível. O garoto Thomas, que nas missas fazia à vezes de coroinha, ficou de olhos arregalados depois que, curioso, ouviu parte das histórias das cinco mulheres. Irmã Noêmia também ficou perturbada e o padre sem saber o que estava acontecendo. Padre Domingos Albuquerque, ou Padre Domingos, era o pároco principal da Paróquia Santa Rita de Cássia, numa cidade isolada do mundo, mas com os mesmos problemas das grandes metrópoles, guardadas as devidas proporções, até então. As cinco mulheres olhavam para o padre de uma maneira tão antagônica, como se ele fosse o Anticristo ou o Deus pai todo poderoso, tamanha era a ansiedade e aflição e a impressão do desejo de que precisam ser “salvas” de alguma coisa ou irem direto para o inferno.

          Essa era a sensação que o cenário passava. As outras pessoas já estavam integradas na paróquia, mas as cinco mulheres era a primeira vez. Padre Domingos deu seguimento normal às atividades daquele dia, esquecendo momentaneamente aquela impressão negativa e de desespero que teve ao encarar as cinco mulheres.

          As missas na paróquia eram realizadas aos sábados às dezoito horas e aos domingos, às sete, dez e dezoito horas. Quando solicitadas rezam missas pontuais por alguma intenção. Às segundas, quartas e sextas é realizado o Plantão do Padre, onde os fiéis têm oportunidade de conversar com o Padre, recebendo conselhos, penitências e podem se confessar. Todas as noites de segunda, quarta e sexta, além de atender aos fiéis, Padre Domingos lia uma passagem da bíblia e fazia uma reflexão como se fosse uma homilia. Após, ouvia os fiéis previamente selecionados, individualmente, com a ajuda das Irmãs Noêmia e Catarina. Os casos mais “graves” eram levados para o Padre Domingos. Naquela noite a preleção seria sobre Maria Madalena:
TRECHO DO LIVRO "MADALENAS"

31 dezembro 2014

O MESTRE DA MISERICÓRDIA

Os homens de nosso tempo, embora aceitem Jesus Cristo como um grande líder religioso, estão cada vez menos dispostos a reconhecê-lo como Deus. A Sua divindade, no entanto, é a coluna vertebral da religião cristã, sem a qual todo o edifício da fé rui inevitavelmente. Afinal, se Jesus é Deus, tudo o que disse é verdadeiro – e a Ele devemos, pela fé, “plena adesão do intelecto e da vontade”, já que Deus “não pode enganar-se nem enganar” ninguém –, mas, se é apenas uma pessoa “iluminada”, a religião que fundou pode muito bem ser remodelada ao gosto dos tempos.
Para provar que Jesus é Deus, o autor C. S. Lewis serviu-se de um argumento que já era apresentado desde o início da Igreja e apresentou-o no livro Mere Christianity [“Cristianismo puro e simples”, no Brasil]. Ele chamou o argumento de “the shocking alternative – a alternativa estarrecedora”:
Entre os judeus surge, de repente, um homem que começa a falar como se ele próprio fosse Deus. Afirma categoricamente perdoar os pecados. Afirma existir desde sempre e diz que voltará para julgar o mundo no fim dos tempos. Devemos aqui esclarecer uma coisa: entre os panteístas, como os indianos, qualquer um pode dizer que é uma parte de Deus, ou é uno com Deus, e não há nada de muito estranho nisso. Esse homem, porém, sendo um judeu, não estava se referindo a esse tipo de divindade. Deus, na sua língua, significava um ser que está fora do mundo, que criou o mundo e é infinitamente diferente de tudo o que criou. Quando você entende esse fato, percebe que as coisas ditas por esse homem foram, simplesmente, as mais chocantes já pronunciadas por lábios humanos.”
“Há um elemento do que ele afirmava que tende a passar despercebido, pois o ouvimos tantas vezes que já não percebemos o que ele de fato significa. Refiro-me ao perdão dos pecados. De todos os pecados. Ora, a menos que seja Deus quem o afirme, isso soa tão absurdo que chega a ser cômico. Compreendemos que um homem perdoe as ofensas cometidas contra ele mesmo. Você pisa no meu pé, ou rouba meu dinheiro, e eu o perdôo. O que diríamos, no entanto, de um homem que, sem ter sido pisado ou roubado, anunciasse o perdão dos pisões e dos roubos cometidos contra os outros? Presunção asinina é a descrição mais gentil que podemos dar da sua conduta. Entretanto, foi isso o que Jesus fez. Anunciou ao povo que os pecados cometidos estavam perdoados, e fez isso sem consultar os que, sem dúvida alguma, haviam sido lesados por esses pecados. Sem hesitar, comportou-se como se fosse ele a parte interessada, como se fosse o principal ofendido. Isso só tem sentido se ele for realmente Deus, cujas leis são transgredidas e cujo amor é ferido a cada pecado cometido. Nos lábios de qualquer pessoa que não Deus, essas palavras implicam algo que só posso chamar de uma imbecilidade e uma vaidade não superadas por nenhum outro personagem da história.”
“No entanto (e isto é estranho e, ao mesmo tempo, significativo), nem mesmo seus inimigos, quando lêem os evangelhos, costumam ter essa impressão de imbecilidade ou vaidade. Quanto menos os leitores sem preconceitos. Cristo afirma ser ‘humilde e manso’, e acreditamos nele, sem nos dar conta de que, se ele fosse somente um homem, a humildade e a mansidão seriam as últimas qualidades que poderíamos atribuir a alguns de seus ditos.”
“Estou tentando impedir que alguém repita a rematada tolice dita por muitos a seu respeito: ‘Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito a sua afirmação de ser Deus.’ Essa é a única coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse somente um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral. Seria um lunático – no mesmo grau de alguém que pretendesse ser um ovo cozido – ou então o diabo em pessoa. Faça a sua escolha. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco ou coisa pior. Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou pode prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passava de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la."
Não é possível que Cristo tenha sido simplesmente “bom”, já que Ele mesmo manifestava, em seus discursos, a consciência de ser Deus encarnado. Não só o disse explicitamente, por exemplo, aos fariseus: “Antes que Abraão existisse, eu sou”, como os próprios judeus tinham entendido aonde Ele queria chegar: “Não queremos te apedrejar por causa de uma obra boa, mas por causa da blasfêmia. Tu, sendo apenas um homem, pretendes ser Deus!”.
Diante disso, ou se admite que Jesus é Deus ou, então, trata-se de uma pessoa má, seja moral – não sendo Deus, Ele teria mentido –, seja intelectualmente – se Se enganou, não sabendo de Sua própria identidade, é alguém evidentemente louco. O apologista protestante norte-americano Josh McDowell chama isso de “trilema dos três L’s”: se Jesus não é Lord (Senhor), ou é um lier (mentiroso) ou um lunatic (lunático).
Mas, Ele não pode ser um mentiroso perverso. Um homem que amou tanto, a ponto de entregar a própria vida, que transformou inúmeras pessoas com o Seu olhar bondoso e misericordioso, não pode ser um farsante. Ao mesmo tempo, descarta-se que Ele seja um lunático. Se não tinha consciência de quem Ele próprio era, como possuía uma consciência tão aguda do que é a pessoa humana, a ponto de lermos nas páginas do Evangelho como que uma “radiografia” de nossas vidas?
Assim, não resta às pessoas outra alternativa senão crer na divindade de Nosso Senhor.
Os teólogos liberais, no entanto, tentam escapar desse ótimo argumento por duas vias. Primeiro, acusando as Sagradas Escrituras de mentirosas: para fugir de Deus feito homem, eles dizem que o Novo Testamento não é nada mais que uma invenção da comunidade primitiva, que criou um “Jesus da fé” em total oposição ao “Jesus histórico”. Como explicar que esses cristãos aparentemente mentirosos tenham sido os mesmos a darem a vida por aquilo em que acreditavam, é um mistério que esses teólogos se recusam a responder. Homens de fibra, que derramaram o próprio sangue pelo Evangelho, não se identificam com uma comunidade de aproveitadores e charlatães, que teriam forjado uma história só para enganar os outros. Afinal, ninguém dá a vida por uma mentira. As pessoas mentem para salvar a vida, não para perdê-la, como fizeram os primeiros mártires da fé cristã.
Esses mesmos teólogos também recorrem a uma “orientalização” de Cristo: após uma visita à Índia, Jesus teria saído de lá pregando o panteísmo hinduísta, o qual foi o motivo de Sua morte. Mas, qualquer pessoa com um pouco de conhecimento sobre religiões sabe que os ensinamentos do Evangelho são absolutamente incompatíveis com as crenças orientais.
Ainda que toda essa explicação seja convincente, não é suficiente para dar a uma pessoa a fé, que “a Igreja a professa como virtude sobrenatural, pela qual, sob a inspiração de Deus e com a ajuda da graça, cremos ser verdade o que ele revela, não devido à verdade intrínseca das coisas conhecida pela luz natural da razão, mas em virtude da autoridade do próprio Deus revelante”. Uma vez diante dos preambula fidei, é preciso bater às portas de Deus e pedir-Lhe, humildemente, o tesouro da fé.

28 dezembro 2014

RESCUER

Numa tarde de domingo, Dr. Abreu estava na UTI cumprindo seu plantão. Atendeu vários pacientes e deixou para atender Seu Alfred por ultimo, pois Maria Julia e Dona Maximiliana haviam sido autorizadas a entrar na UTI e ele iria ficar com elas. Ao sentar-se numa cadeira ao lado do leito de Seu Alfred, Dr. Abreu, olhando para uma imagem de Jesus Cristo que havia na parede ao alto, lembrou-se da vez em que foi convidado para o jantar que o apresentaria para os pais de Maria Julia. A imagem de Cristo parecia que conversava com ele e ele respondia a Jesus que nunca teve mágoa do Seu Alfred por sua rejeição por ele ser negro. Esse tipo de violência social até que é comum em alguns países e o mais importante foi ter tido o carinho de Maria Julia e Dona Maximiliana. Certa vez, num comentário que fez para Dona Maximiliana e Maria Julia, disse que sonhava que um dia o Seu Alfred iria querê-lo bem, iriam dar risadas juntos, tomar cervejas assistindo jogos de futebol. Dr. Abreu chegou a derramar algumas lágrimas e pediu ao Cristo que curasse Seu Alfred, pois a medicina já havia feito tudo que tinha sido possível:
          - Filho!
          Dr. Abreu ouviu uma voz rouca, com dificuldades de pronunciar as palavras e quando se virou para o leito viu o Seu Alfred com os olhos abertos, lacrimejados, engolindo seco e novamente se esforçando para dizer:
          - Filho!
          Rapidamente todo corpo médico foi acionado e pouco tempo depois Seu Alfred teve uma piora e morreu. Dias depois Maria Julia e Dona Maximiliana convidaram o Dr. Abreu para tomarem um chá em sua residência. Lá, contaram que viram toda a cena ou os últimos momentos de vida do Seu Alfred e se sentiram confortadas pela graça divina de poderem presenciar o ultimo ato do Seu Alfred em forma de agradecimento arrependimento e perdão para com o Dr. Abreu.
TRECHO DO LIVRO "RESCUER"

31 agosto 2014

JESUS E O PODER DO IMPÉRIO ROMANO



Toda a História de Jesus passa-se dentro do Império Romano, na realidade Judaica. Aqui não vamos fazer um estudo sobre Jesus, mas sim sobre o seu legado, sua vivência no Império Romano e a fundação da Igreja Católica. Por isto, muitas vezes vou dissertar sobre um Jesus mais “Histórico”. Lógico que Jesus é o Senhor, meu Deus e Salvador, mas aqui é preciso evidenciar a História, o Homem, a sua ação na Sociedade da época e do seu legado. Não temos certeza da data exata do nascimento de Jesus, mas sabemos que Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, o Grande, que os romanos haviam designado para governar a Judéia.
A Infância de Jesus só é citada no evangelho segundo Mateus 2:13-23, após a fuga para o Egito, a família de Jesus permaneceu nessa região até à morte de Herodes. Nessa altura, deixam o Egito e estabelecem-se em Nazaré, de modo a evitar terem de viver sob a autoridade do filho e sucessor de Herodes, Arquelau.
Muitos evangelhos apócrifos falam da infância e juventude de Jesus, mas estes só servem para uma ilustração cultural, mas não podemos ter a veracidade dos mesmos .
A única referência à adolescência de Jesus nos Evangelhos canônicos ocorre em Lucas 2:41-52. Segundo este evangelista, aos doze anos Jesus foi com os pais de Nazaré a Jerusalém, para a festa de Pessach, a Páscoa judaica, e lá surpreendeu os doutores do Templo pela facilidade com que aprendia a doutrina, e por suas perguntas intrigantes.
Outra informação que temos é que Jesus era filho de um Carpinteiro e que aprendeu dele esta profissão.
O Certo é que Jesus teve uma vida comum no meio do povo, no meio da sua família, sendo filho, jovem, homem e trabalhador até aos 30 anos. Ele foi educado dentro da tradição da sua religião, o Judaísmo, estudou a Torá, e possivelmente falava várias línguas faladas naquele território palestino.
Aos 30 Anos Jesus começou a sua vida pública e assim começou a formar um povo. Inicialmente, era um pequeno grupo mas que foi crescendo nos três anos de sua pregação. Uma pregação que falava do Reino de Deus, numa revolução que começa no interior de cada um, que se aplica no amor ao próximo, derrubando as barreiras da classe social, da raça, sexo e da cor de pele.
Além da pregação, os milagres faziam com que as pessoas ficassem maravilhadas e a notícia das curas espalhava-se por todo o território palestino. As pessoas corriam atrás de Jesus dos milagres, mas encontravam um Jesus da Palavra que alcança a alma e faz uma revolução interior, uma mudança de vida, uma proposta que ia aos desejos de libertação de um povo oprimido pelo Império Romano. Sobre a formação da Igreja, podemos dizer que Jesus já pensava em formar um povo, pois vemos que Ele pregava sobre a comunidade e como Ele formava firmemente os Seus discípulos. Mais que formar um povo, o novo povo de Deus, Jesus fundou a igreja que foi construída sob uma forma de comunidade visível na qual as pessoas eram admitidas através do batismo
A escolha dos Apóstolos em número de doze é certamente feita na simbologia das doze tribos de Israel das quais foi formado o Povo de Israel e agora sob os doze Apóstolos passa a ser formado o novo povo de Deus. Eram 12 Apóstolos, mas Jesus tinha ainda vários discípulos, mas aos doze, Jesus dá orientações próprias: ensinar, batizar, expulsar os espíritos impuros e curar as doenças. Enquanto os discípulos continuavam a ter uma vida própria, moravam em suas casa e tinham seus trabalhos, os Apóstolos deixaram tudo, família, ocupação e passaram a estar com Jesus durante todo o tempo e sendo formados intensivamente.
Dentre os doze Apóstolos existe uma posição de relevo em relação a Simão, pescador, filho de João Barjona. Se lermos o evangelho sabemos que ele é sempre destacado entre os Apóstolos. Jesus dá a Simão um segundo nome Pedro que quer dizer Rocha, Rochedo. A Este Apóstolo é dada uma missão especial: dirigir o pequeno rebanho, isto é, a Igreja, depois da morte de Jesus.
Leia : MT 16 , 13 – 19 (A eleição de Pedro por Jesus é confirmada mais tarde após a Sua morte e ressurreição.)
Leia: Jo 21,15-17 ( Vemos aí um encargo dado a Pedro de pastorear o Rebanho de Cristo. Um Primado, um “ Papado”.)
Voltando a Jesus, falamos sobre a relação entre Ele e os Judeus. Sendo um deles e sabendo da sua lei, Jesus pregava e assumia-se como o Messias anunciado pelos profetas e que o povo de Israel esperava.
Mas se Jesus se apresentou como Messias, pregava a verdade e realizava prodígios e milagre, por que o Povo judeu não o aceitou?
Temos que ver a mentalidade judaica: para os judeus, o Messias seria um líder político, um chefe terreno, que libertaria o povo na luta contra os opressores que os libertaria e formaria o reino de Deus, que restauraria o Reino de Israel. O Messias seria um político, governador que comandaria Israel e que traria o esplendor desta nação sobre as outras.
Jesus anuncia o reino, mas o reino de Deus, o reino dos céus, propunha sim uma revolução, mas a que levaria à conversão.
Para os Romanos, Jesus era visto como uma pessoa que fazia aos poucos uma revolução social que começava a ser pregada aos pequenos, aos pobres, uma classe social subjugada pela elite herodiana. Jesus prepararia uma revolução comunitária da família, dos povoados. Jesus falava da sociedade da época, posicionava-se diante da realidade econômica, falava das relações entre a pessoa e o estado. Os Milagres libertavam o Povo, as Curas traziam soluções para as dores e a multiplicação dos pães falava da necessidade do povo que precisava ser suprida. Aos olhos do Império, Jesus era um Líder que não os preocupava muito, mas que aos poucos começou a dividir a sociedade e a fazer muito barulho.
Para os Romanos, o reino dos céus era visto como uma metáfora para a libertação popular e tal interpretação levou Pilatos a condenar Jesus à morte após um processo tumultuado pela insistência da Elite Sacerdotal de Jerusalém  que apresentava  Jesus como inimigo dos Judeus e  perigoso profeta que  ameaçava o Império Romano.
Quando Pôncio Pilatos questiona Jesus sobre o dito reino e Jesus afirma sobre o Reino dos Céus, mas a referência de reino para um romano é do terreno. 
TRECHO DO LIVRO