03 junho 2016

LIVRO - DEUS DO IMPOSSÍVEL - OS MILAGRES DE JESUS



Deus é bom, sempre bom. Às vezes, porém, não conseguimos ver a bondade de Deus nas circunstâncias da vida, mas, mesmo assim, Deus continua sendo sempre bom.
          Havia um súdito que dizia sempre para o rei que Deus é bom. Um dia saíram para caçar e um animal feroz atacou o rei e ele perdeu o dedo mínimo. O súdito ainda lhe disse: Deus é bom. O rei mandou prendê-lo. Noutra caçada o rei foi capturado por índios antropófagos. Na hora do sacrifício o cacique percebeu que ele era imperfeito, porque lhe faltava um dedo. O rei foi solto e chegou para o súdito e disse-lhe: é verdade, Deus é bom. Mas por que então, eu lhe mandei para a prisão? O súdito, respondeu: porque se estivesse contigo eu seria sacrificado. As tempestades da vida não anulam a bondade de Deus. Não haveria o arco-íris sem a tempestade, nem o dom das lágrimas sem a dor. Só conseguimos enxergar a majestade dos montes quando estamos no vale. Só enxergamos o brilho das estrelas quando a noite está trevosa É das profundezas da nossa angústia que nos erguemos para as maiores conquistas da vida. Jesus passara todo o dia ensinando à beira-mar sobre o Reino de Deus. Ao final da tarde, ele deu uma ordem para os discípulos para entrarem no barco e passarem para a outra margem, para a região de Gadara, onde havia um homem possesso. Enquanto atravessam o mar, Jesus cansado da faina, dormiu e uma tempestade terrível os surpreendeu, enchendo dágua o barco. Os discípulos apavorados clamaram a Jesus. Ele repreendeu o vento, o mar e os discípulos e aqueles homens apavorados com a fúria dos ventos ficaram maravilhados diante do seu milagre”.
          Analisando este texto, podemos sintetizá-lo em seis pontos básicos:
·        Uma noite a bordo;
·        Uma tempestade furiosa;
·        Um clamor desesperado;
·        Um milagre impressionante;
·        Uma reprovação amorosa e um efeito profundo.

          Aprendemos aqui algumas lições importantes: Em primeiro lugar, as tempestades da vida são inesperadas.
          O Mar da Galiléia era famoso por suas tempestades. É um lago de águas doces, de 21 quilômetros de comprimento por 14 de largura, há 220 metros a baixo do nível do Mar Mediterrâneo e é cercado de montanhas por três lados, que têm até 300 metros de altura. Os ventos gelados do Monte Hermon (2.790m), coberto de neve durante todo o ano, algumas vezes, descem com fúria dessa região alcantilada e sopram com violência, encurralados pelos montes, caindo sobre o lago, encrespando as ondas e provocando terríveis tempestades.
          A palavra usada é seismós terremoto (Mt 24:7). As tempestades da vida são também inesperadas: é um acidente, uma enfermidade, uma crise no casamento, um desemprego. As tempestades não mandam telegrama. Elas chegam em nossa vida sem mandar recado e sem pedir licença. As tempestades, algumas vezes nos colhem de surpresa e nos deixam profundamente abalados. Como seguidores de Cristo devemos estar preparados para as tempestades que certamente virão. Os discípulos tinham passado o dia ouvindo o Mestre e fazendo sua obra, mas isso não os isentou da tempestade. Eles amavam a Jesus e tinham deixado tudo para segui-lo, mas isso não os poupou do mar revolto. As aflições e as tempestades da vida fazem parte da jornada de todo cristão. Em segundo lugar, as tempestades da vida são perigosas. Mateus diz que o barco era varrido pelas ondas (Mt 8:24). Marcos diz que se levantou grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água (Mc 4:37). Lucas diz que sobreveio uma tempestade de vento no lago, correndo eles o perigo de soçobrar (Lc 8:23). As tempestades da vida também são ameaçadoras.
          Elas são perigosas. São verdadeiros abalos sísmicos e terremotos na nossa vida. Muitas vezes as tempestades chegam de forma tão intensa que deixam as estruturas da nossa vida abaladas. Põem no chão aquilo que levamos anos para construir. É um casamento edificado com abnegação e amor, que se desfaz pela tempestade da infidelidade conjugal. É um sonho nutrido na alma com tanto desvelo que se transforma num pesadelo. De repente uma doença incurável abala a família, um acidente trágico ceifa uma vida cheia de vigor, um divórcio traumático deixa o cônjuge ferido e os filhos amargurados. Uma amizade construída pelo cimento dos anos naufraga pela tempestade da traição. Em terceiro lugar, as tempestades da vida são inadiministráveis. Elas são maiores do que nossas forças.
          Os discípulos se esforçaram para contornar o problema, para saírem ilesos da tempestade. Mas eles nada puderam fazer para enfrentar a fúria do vento. Seus esforços não puderam vencer o problema. Eles precisaram clamar a Jesus. O problema era maior do que a capacidade deles de resolver. Há problemas que nos deixam com uma profunda sensação de impotência. Não temos força para resistir a fúria dos ventos e a força das ondas. Certa feita, Josafá, rei de Judá, foi encurralado por três inimigos que se armaram até os dentes para atacar Jerusalém. Mandaram-lhe um recado insolente, dizendo que o rei não podia escapar de suas mãos. Josafá teve medo, pôs-se a buscar a Deus e decretou um jejum em toda a nação. 
TRECHO DO LIVRO

29 maio 2016

LIVRO - P E C A D O S

Era o fruto proibido as relações sexuais, como alguns têm afirmado? As Escrituras não apoiam essa ideia. Primeiro porque, quando Deus estabeleceu a proibição, Adão estava sozinho e evidentemente continuou assim por um tempo. Segundo, Deus mandou que Adão e Eva ‘fossem fecundos, se tornassem muitos e enchessem a terra’. É claro que Deus não os mandaria violar sua lei e depois os sentenciaria à morte por fazerem isso. Terceiro, Eva comeu do fruto antes de Adão e depois o deu também a seu esposo.  Fica claro que o fruto proibido não era o sexo. A árvore do conhecimento era uma árvore de verdade. No entanto, ela representava o direito de Deus, como Legislador, de decidir o que é bom e o que é mau para suas criaturas humanas. Portanto, comer da árvore não era apenas um roubo — tomar algo que pertencia a Deus —, mas era também uma tentativa presunçosa de conseguir autodeterminação, ou independência moral. Observe que logo depois de mentir a Eva, dizendo que ela e seu marido ‘positivamente não morreriam’ se comessem do fruto, Satanás afirmou: “Porque Deus sabe que, no mesmo dia em que comerdes dele, forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.” Entretanto, quando comeram do fruto, Adão e Eva não obtiveram esclarecimento igual ao de Deus sobre o que é bom e o que é mau. De fato, Eva disse a Deus: “A serpente — ela me enganou.” Mas Eva conhecia a ordem de Deus, tanto que a repetiu para a serpente, que foi usada por Satanás como seu porta-voz. Assim, sua atitude foi de desobediência deliberada. Adão, por outro lado, não foi enganado. Em vez de obedecer lealmente ao seu Criador, ele ouviu sua esposa, preferindo também seguir um proceder independente. Ao declarar sua independência, Adão e Eva prejudicaram de modo irreparável seu relacionamento com Jeová e gravaram em si mesmos, diretamente em seus genes, a marca do pecado. É verdade que eles viveram centenas de anos, mas começaram a morrer “no dia” em que pecaram, assim como acontece a um galho que é cortado duma árvore. Além disso, pela primeira vez, eles se sentiram angustiados. Perceberam que estavam nus e tentaram se esconder de Deus. Também sentiram culpa, insegurança e vergonha. O pecado produziu uma agitação dentro deles: era sua consciência os acusando do proceder errado. A fim de cumprir sua palavra e se apegar aos seus padrões sagrados, Deus foi justo ao sentenciar Adão e Eva à morte e expulsá-los do jardim do Éden. Desse modo, o Paraíso, a felicidade e a vida eterna foram perdidos, dando lugar ao pecado, ao sofrimento e à morte. Que tragédia para a humanidade! Entretanto, imediatamente após sentenciar o casal, Deus prometeu, sem comprometer seus padrões justos, reverter todo o dano causado pelo pecado deles.Jeová decidiu tornar possível que a descendência de Adão e Eva fosse liberta do pecado e da morte. Ele realizou isso por meio de Jesus Cristo. Por intermédio dele, Deus eliminará o pecado e todos os seus efeitos e transformará a Terra num paraíso global, exatamente como ele intencionou no início.
PREFÁCIO DO LIVRO

28 maio 2016

LIVRO - ESCREVENDO NA AREIA


O Senhor tinha o costume, especialmente pouco antes de sua paixão, de pregar a Palavra de Deus durante o dia no templo que havia em Jerusalém; sua pregação era acompanhada de sinais e milagres. Quando chegava a tarde voltava para Betânia, hospedando-se na casa de Lázaro, Marta e Maria, e na manhã seguinte voltava à mesma atividade. E como estivesse no último dia da festa do tabernáculo ocupado com a pregação, à tarde foi ao monte das Oliveiras. É isso o que diz: E Jesus foi para o monte das Oliveiras, e: E onde devia pregar Jesus senão no monte das Oliveiras, no monte do unguento, monte do crisma? O nome Cristo quer dizer crisma; e crisma em grego quer dizer unção. Nos ungiu porque nos colocou na condição de lutar contra o diabo(Santo Agostinho, In Joannen, tract. 33), e também: “Significava que depois que começou a habitar no templo por meio da graça (isto é, na Igreja), todas as gentes começaram a acreditar n’Ele. Por isso segue: ‘E veio a Ele todo o povo, e sentado lhes ensinava” (São Beda), e ainda: “A ação de estar sentado representa a humildade da Encarnação. E quando o Senhor estava sentado, o povo vinha a Ele, porque depois que se fez visível pela natureza humana que tomou, começaram muitos a ouvir e crer n’Ele, porque havia aproximado deles por meio da humanidade. Enquanto que os pacíficos e simples admiravam as palavras do Salvador, os escribas e os fariseus lhe perguntavam, não para aprender, mas para embaraçar a verdade. Por isso segue: ‘Os escribas e os fariseus lhe trouxeram uma mulher surpreendida em adultério, a puseram no meio e lhe disseram: ‘Mestre, esta mulher foi surpreendida em adultério”, e: Haviam conhecido que o Salvador era muito bondoso, porque d’Ele estava escrito: ‘... reina por meio da verdade, da mansidão e da justiça’ 
TRECHO DO LIVRO

LIVRO - HERODÍADES - A VERDADE SEMPRE INCOMODA


É bem verdade que “a fé entra pelos ouvidos”, porém, se o coração não se abre a ela, continuamos como meros espectadores e não nos deixamos transformar por aquilo que ouvimos. A Palavra de Deus, por si mesma, traz a graça de tocar e transformar nossas vidas, entretanto, somos nós quem livremente acolhemos ou não sua ação em nossas vidas. A palavra do mês está no Evangelho de São Marcos 6,14-29. Leia-a atentamente, escute-a com os ouvidos e também a acolha com o coração. Medite sobre essa palavra e deixe-a crescer dentro de você, para isso o silêncio e o recolhimento promovem o ambiente propício. O rei Herodes simplesmente ouviu falar de Jesus, parou naquilo que os outros lhe diziam, e acabou tendo uma impressão errada de quem era o Senhor. Isso porque se acostumou a ouvir apenas como um espectador, deixando que as palavras entrassem por um ouvido e saíssem por outro, como costumamos dizer. Herodes gostava de ouvir João Batista, ainda que ficasse desconcertado e embaraçado com as palavras deste por causa de sua situação de vida errada. Todos nós queremos ouvir a verdade, ainda que ela revele nossas fragilidades, porém, ter a coragem de assumir e mudar de atitude e de vida é o grande desafio. A verdade sempre vai incomodar a quem não quer mudar de vida! João Batista incomodava Herodes e Herodíades, que viviam em adultério; no entanto, ambos escolheram continuar no erro e preferiram calar ao profeta por medo de mudarem de vida e de se converterem! Eu e você precisamos fazer uma escolha diferente! Não podemos ficar na postura medíocre de simples espectadores da Palavra de Deus, de quem ouve a Palavra, mas não vive aquilo que ouve. Nós precisamos ouvir a Palavra de Deus com o forte desejo de sermos transformados por aquilo que ouvimos. Certamente isso será exigente para todos nós; contudo sair da nossa zona de conforto é algo sempre necessário. Costumamos dizer que “água parada cria bicho”, e isso é verdade; quando um pouco de água fica empoçada por muito tempo, torna-se um ambiente propício para o aparecimento de bichos e doenças. Aplicado isso à nossa vida, também podemos dizer que um cristão parado vira bicho, ou seja, um cristão que não se converte continuamente, que não rompe com o vínculo cômodo do pecado e do vício, acaba se assemelhando a um animal, vive uma vida desfigurada e desumanizada. Foi o que aconteceu com Herodes que, ao recusar-se a deixar sua vida errada, acabou por matar João Batista, resolvendo, de forma covarde, continuar errando ao eliminar a quem lhe mostrava a verdade. Jesus é a verdade e essa verdade sempre vai nos provocar a tomar decisões e a fazer escolhas. Ainda que sejamos incomodados pelo anúncio da verdade, nossa vida precisa ser por ela transformada, caso contrário, tornamo-nos semelhantes a Herodes, que preferiu eliminar João Batista a se arriscar mudar de vida. Por isso renunciemos à “síndrome de Herodes”, que apresenta resistência à verdade e fúria assassina, buscando resolver as situações ao eliminarmos todos que nos dizem a verdade não desejada. Conhecereis a verdade e ela vos libertará”, ensina-nos Jesus; deixe que essa verdade transforme a sua vida.
PREFÁCIO DO LIVRO

15 maio 2016

LIVRO - SALMO _51

A história demonstra que, na vida, cada escolha feita de forma errada resultará em consequências desastrosas, trágicas. Uma escolha errada pode virar um pecado, por seu descuido espiritual. No entanto, apesar de quão grande for o pecado cometido e os desdobramentos de suas escolhas e das trágicas consequências, Deus, mesmo assim, vai demonstrar sua graça e amor, restaurando-os, perdoando-os e ainda mais, concedendo ao pecador a oportunidade "outras felicidades". A história contida neste livro não tem o cunho religioso propriamente dito, mas suas consequências e escolhas nos remete a uma passagem bíblica e por conseguinte ao Salmo 51. Ao final da leitura chegaremos a conclusão que devemos avaliar nossas vidas, verificando em quais áreas temos pecado contra o Senhor. Confesse cada um dos seus erros, dispondo-se a abandoná-los. Lembre-se de que é indispensável você manter vigilância para que suas escolhas sejam sempre feitas segundo a instrução da Palavra de Deus. E não se esqueça de sempre render louvores ao Senhor pelo perdão que ele concede a você, bem como, por sua infinita graça que é revelada na continuidade de suas bênçãos em sua vida, apesar de seus erros.
ESCOLHAS ERRADAS = CONSEQUÊNCIAS TRÁGICAS
SINOPSE DO LIVRO 

07 maio 2016

LIVRO - O SILÊNCIO DA PENHA (JAMAIS TE CALAS)



Maria Sanchez Penha conheceu o ex-marido na melhor época da sua vida. Ela tinha quinze anos; ele, vinte e cinco. No começo o que se predominava eram as juras de amor. Maria estava apaixonada, ou cega, como diria mais tarde, mas o amor é mesmo assim: Indecifrável no começo, trágico no fim. Eles faziam planos a curto médio e longo prazo e Maria se encantava com tudo que ele dizia e planejava. Brigas, discussões, são normais nos casais pensava Maria e com uma boa lábia, ele sempre trazia a situação sob seu controle depois de uma briga. Até então, as ameaças não faziam parte da rotina do casal – Até então. Certa vez fizeram uma viagem. Foram a uma praia e foi ali que a situação pareceu que começaria a fugir do controle: Depois de uma sucessão de brigas, Maria ameaçou deixá-lo. Ele a levou para um penhasco e garantiu que a mataria caso o relacionamento chegasse ao fim. Mesmo depois desse e de novos episódios semelhantes acontecidos, os dois resolveram morar juntos:


          - Querendo ou não, eu gostava dele, justificava Maria.

           Maria “achava” que ele poderia mudar.

São coisas do amor, ainda mais quando é cego, mas o que é o amor? Pergunta sem resposta. Quem sabe é o coração. A primeira agressão física aconteceu numa noite de Natal. Imaginem só, bem numa época em se prega o amor e a alegria entre pessoas que se amam. Maria levou uma cabeçada do marido que a fez desmaiar. Quando acordou, foi impedida de ir para a casa dos pais pelos cunhados, cúmplices das inúmeras outras agressões que ela viria a sofrer. Teve que ir para a casa que dividia com o marido. A partir daí, chutes, socos, empurrões e ameaças de morte se sucederam:

           - Eu pedia para nos separar; ele chorava muito, dizia que ia mudar. Fui levando.

 Eles continuaram juntos e tiveram um filho. Numa ocasião, chegaram a ficar separados por dois anos, e Maria, certa vez, teve de ficar hospedada na casa da sogra, pois o filho faria uma cirurgia. Com isso o casal voltou a viver juntos. Depois, quando Maria decidiu aceitar um emprego, despertou a fúria do marido. Ele subiu em sua barriga e a socou vigorosamente. A sogra assistiu à cena, imóvel:

           - Quando meu marido terminou de me bater, minha sogra disse que a culpa era minha.

          Maria se mudou, mas não conseguiu completar nem um mês no apartamento arranjado pela amiga. Em outra ocasião, ele tentou matá-la com uma faca. Conseguiu fugir e se escondeu na casa de uma amiga. Maria então resolveu denunciá-lo, uma, duas, tantas vezes, mas as ameaças continuaram, apesar das ordens judiciais de que ele deveria se manter afastado dela por certa distância, das ameaças da polícia de prendê-lo, e a vida de Maria passou a ser um tormento ameaçador, a todo o momento fugindo, com medo e se escondendo de seu grande amor.
SINOPSE DO LIVRO

LIVRO - ALGUMAS PALAVRAS IV - TODAS AS MÃES

MÃE DE RUA
Daquela vez ela não quis nem saber e o fez dormir fora da casa humilde, de madeiras, forrada com placas de papelão para aliviar o frio que castigava as noites intermináveis. O vento e os respingos da chuva que invadia o pequeno cômodo faziam com que o menino, trêmulo, se afagasse no corpo da mãe mesmo debilitada e drogada, bêbada igual marido zumbi moribundo, “envenenados” na loucura das drogas e do álcool. E qual exemplo teria aquele menino que assistia de olhos arregalados àqueles filmes diários de perdição, melancolia e desespero? Mas o menino não se cansava de suplicar a Deus para que um dia tudo aquilo pudesse acabar e quando acabasse não seria também um morador de rua como sua mãe, como seu pai, e nem estaria envolvido com aquelas drogas pesadas – sonhava com dias melhores. Ele não queria ser um menino de rua, e sim, um homem com identidade e digno para viver. Que Deus possa me ajudar, dizia o menino, pois não queria se perder feito sua mãe e não queria ser um morto vivo como seu pai. Quando o pequeno menino se deparou novamente com sua mãe completamente drogada, suja, maltrapilho, poderia ignorar, chorar, correr... Desprezar, mas sua Mãe de Rua antes de se perder o ensinou a amar, ensinou que existe amor e que o amor pode ser pequeno, grande ou infinito. O pequeno menino não tinha forças, não conseguiria tirar sua mãe das ruas apenas com seu corpo físico, mas poderia tirar com os olhos que refletem e refletiam o amor através do coração, e isso ele conseguiu, mesmo que por um instante, até a próxima abstinência ou recaída, mas para o menino o que mais valia era “apenas” um instante de amor, para ter a certeza de que o amor existia.
- Ó meu Deus todo poderoso e misericordioso! Eu enxergo o amor nos olhos da minha mãe, mas parece que o amor está preso, acorrentado, prisioneiro deste vício maldito. Mas as lágrimas da minha Mãe de Rua ainda pode ser o remédio da compaixão, da esperança, da perseverança. Enquanto eu tiver forças não vou abandonar a minha mãe e sei que ela está fazendo de tudo para não me abandonar, para não abandonar a si mesma, e é por isso que acredito no amor acima de tudo. Mas, se o amor perder a guerra, na certa eu vou chorar. Minha mãe de rua vai padecer, escafeder-se, mas mesmo assim não vou abandonar o meu Deus todo poderoso, não vou achar que meu Deus me abandonou, pois apesar de menino, eu tenho a consciência de que fiz o melhor e essa lição vou levar para a vida inteira, pois sei que meu Deus me ama e se me deu esse peso, essa sina, é porque fui escolhido como a “pessoa certa”, amém!
TRECHO DO LIVRO

29 abril 2016

LIVRO - ALGUMAS PALAVRAS _ FILOSOFIA - COLEÇÃO

Na Antiguidade, dizia-se que “O pensamento é o passeio da alma”, pois este era considerado uma atividade na qual saímos de nós mesmos sem sairmos de nosso interior. Em nosso cotidiano, usamos as palavras pensar e pensamento em sentidos variados, podendo se constituir em uma atividade solitária, invisível para nós e que precisa ser proferida para ser compartilhada, ou também se traduzir em sinais corporais e visíveis. Há várias maneiras de se interpretar o pensar, que pode ser visto como preocupação cisma ou dúvida; pode ser sinônimo de deliberação e de decisão, como algo que resulta numa ação; pode se referir a algo que se pode ou não querer, algo voluntário e deliberado, uma forma de atenção e concentração; pode representar uma determinada ideia que, definindo algum assunto, foi publicamente anunciada; ou pode ainda, conforme mencionado por Descartes na frase “Penso, logo existo”, indicar a própria essência da natureza humana. Podemos inclusive supor que há bons e maus pensamentos.
Trecho do Livro 

24 abril 2016

LIVRO - RUA CINCO DE JULHO - BURACO NA ALMA NO CAMPO DE SONHOS

Ao adormecer, me vi num corredor estreito, iluminado por luzes fortes, amarelas e repleto de fumaça branca. Estava frio e comecei a escorregar em curvas, como se fosse um tobogã, até chegar à ponta de baixo de uma grande escada branca onde avistava bem lá no alto uma grande porta.
- Suba Tinho! Suba!
Uma voz de menina pedia para eu subir as escadas.
- Mas eu não posso subir essas escadas! São muitos degraus e eu tenho arritmia. Posso ter uma crise!
- Suba Tinho! Suba!
- Mas quem é você?
- Suba Pai!
Não foi difícil subir as escadas, pois parecia que estava voando e ao invés do esforço me provocar uma crise, sentia meu coração cheio de amor e paz. Ao chegar à porta, ela mesma se abriu sem ao menos eu bater e de dentro uma voz perguntava o que eu estava fazendo ali, e respondi:
- Eu vim chamar a minha mãe. Ela precisa soprar meu coração! Meu coração está doendo!
- Deixa que eu chamo! Disse a menina, de vestido vermelho.
Foi então que a porta se fechou e eu fiquei do lado de fora, descendo os degraus como se “pássaros com grandes asas” me conduzissem. Olhei para trás e vi a menina de vestido vermelho me dando tchau e gritei perguntando seu nome:
- Anna!
Olhei para a janela lateral e vi que ainda estava escuro. Perdi a noção do tempo naquele momento. Estava deitado em minha cama, olhando para algumas estrelas que apareciam no céu. O
céu me parecia tão perto e o brilho das estrelas iluminavam o meu quarto. Fui até a cozinha preparar um copo de leite com café e senti que parecia ter alguém na sala. Pelo espelho do banheiro, que refletia o sofá da sala, vi uma menina pulando no sofá como se fosse uma cama elástica. Tive a sensação de que se ela me visse, iria parar de pular, mas eu não queria que ela parasse. Fui devagar até a minha cama, me deitei, mas conseguia ainda vê-la na sala, pulando no sofá. Ela estava ali, na minha frente, sorrindo pra mim!
- Anna. Minha filha!
Agora de vestido branco, acariciando os meus pés e indicando que eu tomasse um copo com água que estava no criado mudo, ao lado dos remédios que eu havia ingerido, ao lado do retrato onde eu e ela estávamos abraçados e sorrindo. Eu tentava me levantar para abraçá-la, mas não conseguia, e ela fazia um sinal, como se estivesse pedindo para eu ficar quieto, deitado, sem me esforçar e mesmo afoito, resolvi obedecer. Eu precisava de um remédio. Eu precisava dela e Deus me fez vê-la, provando a mim, mais uma vez, que ELE existe.
- Descanse bem, pois amanhã tem jogo!
- Jogo?
- Sim Tinho! Contra os caras da Rua Marcos Portugal! Lembra?
- Como você sabe menina?
- É tudo que você sempre quis, não é? Marcar um gol num jogo decisivo!
Se eu pudesse falar e você ouvir, queria lhe dizer tantas coisas, mas Deus só permitiu que eu visse o sorriso de Aneobalda, depois do diálogo, vindo à direção dos meus olhos para fazer com que meu coração explodisse em bater, mas sem arritmia, somente de alegria e contentamento.
- Descanse bastante, Tinho!
- Tá bom!
- Você precisa ficar bem para poder marcar o gol da vitória! O jogo vai ser muito importante! Será contra os caras da Rua Marcos Portugal e vai valer troféu, medalha e flâmula!
- Tá certo, mas eu preciso ainda comprar o meu tênis bamba!
- Sua mãe já comprou e nós já sopramos seu coração! Vá é marque o gol da vitória. Estaremos torcendo por você e seu time, e depois, quando o jogo acabar, suba novamente as escadas, não vai doer. A porta irá se abrir e estaremos te esperando para lhe abraçar. Vou correr em teus braços e como criança, você vai me girar no ar. Esse é o melhor momento, a hora de te encontrar, pai!
TRECHO DO LIVRO

LIVRO - DO OUTRO LADO - UM NOVO FINAL - 2a. edição



A mesa estava fria, tal como as mãos do médico que trabalhava para me tirar a pequena vida cujo coração só recentemente começava a bater. Senti vergonha e uma dor terrível por permitir que este médico tirasse de mim o meu bebê. No silêncio e no meu desespero, podia ouvir uma voz muito baixa que estava a chamar a minha atenção.
               Era como se a voz dissesse:
               "Não, por favor, não... Por favor, não."
Mas foi tarde demais. A voz desapareceu junto com o corpo pequenino. Que vergonha, culpa e depressão me seguia. Como foi possível eu fazer uma coisa tão egoísta e má? Que tipo de ser humano sou? Eu queria morrer. 
               Quando estava pronta para sair da clínica, reparei numa enfermeira a colocar um cartão na gaveta.  Supunha que tinha o meu nome e toda a informação sobre o meu bebê morto. Então, é assim pensei eu, A vida do meu bebê num cartão que vai ficar dentro de muitos outros, num gabinete. Posso saber o que está escrito no cartão? Será que era um rapaz ou menina? Claro que não - Ouvi dizer que não é possível de se saber tão cedo. Por intuição penso que era um rapaz.
             Mas como era o meu bebê? Mas em vez de ter nos meus braços um bebê vivo que respirava, e que um dia iria correr rir e amar, só existia um cartão com palavras. Continuei a pensar mais: E se alguém conhecido começar a trabalhar nesta clínica e vir o meu nome nas fichas? Sentia-me muito envergonhada. Preocupava-me com a minha reputação. O meu aborto aconteceu há doze anos. Foi num mês de Novembro - e a cada outono, quando vejo as folhas das árvores mudarem de cor e caírem , lembro-me da minha queda quando matei o meu próprio bebê.  Todavia apesar daquele dia tão terrível, desde então eu vim a conhecer um Salvador que me ama. Soube do seu perdão e agradeci-lhe por isto, mas nunca me sentia perdoada. Eu chorava muitas vezes pedindo-lhe para tirar-me a culpa e o sofrimento, mas parecia não haver resposta. Até que uma noite eu tive um sonho tão real até ao ultimo detalhe. No sonho estava na clínica, a olhar a enfermeira a colocar o cartão na gaveta. Sentia um peso enorme ao meu redor, que quase não conseguia respirar. De repente um homem apareceu ao lado da enfermeira. Ó não! Será alguém que conheço? Alguém vai descobrir o que eu fiz.  O homem virou-se para mim. Eu vi o seu rosto. Não, por favor, Ele não... Qualquer pessoa, menos Ele. Era Jesus!
 - Saia, se faz favor, dizia eu. Não deve estar neste lugar horrível. 
Mas Ele não saia. Em vez disto, mansamente, Ele tirou o cartão da mão da enfermeira. Eu comecei a tremer na medida em que eu via os seus olhos absorver a realidade do que eu tinha feito. Lentamente Ele curvou a cabeça e começou a chorar. Sentia-me tão mal porque eu era a razão d'Ele ter vindo àquele lugar. Eu caí ao chão em desespero. Senti as suas mãos nos meus ombros e olhei para os seus olhos, esperando a sua ira. Mas não via nem ira nem condenação, só compaixão. O seu rosto refletia tristeza, e percebia que era mais profunda do que a minha. Ele abraçou-me e eu coloquei a minha cabeça no seu peito. As nossas lágrimas caiam juntas. Finalmente ele começou a escrever algo no cartão. Eu vi e descobri que Ele tinha escrito o seu próprio nome em cima do meu pecado. O seu nome estava escrito num vermelho tão forte que não mais conseguia ler o que estava escrito em baixo. Ali, no seu próprio sangue, o nome de Jesus Cristo cobriu o meu pecado. O peso saiu de mim e enquanto olhava nos seus olhos brilhantes Ele sorriu e sussurrou: Tudo acabou. Finalmente compreendi. Não há condenação para aqueles que acreditam em Jesus, só perdão. A culpa já passou - sou perdoada e livre do passado, agora posso andar com Jesus com felicidade e paz.
TRECHO DO LIVRO


23 abril 2016

LIVRO - NUNCA É TARDE



Doutor Alberto era um grande empresário, um homem muito respeitado perante á sociedade, sua história chega a ser de superação, um homem que quebrou barreiras e deixou uma infância pobre para obter muitas riquezas, se tornando um homem de negócios, mas junto com suas riquezas ele obteve um novo caráter, não era mais aquela criança doce e encantadora, se tornou um Deus, um homem muito arrogante e severo, virou um ser humano amargo e robótico, estava sempre ocupado, por isso ao invés de presentear seus filhos com amor e carinho, os presenteava somente no campo material e havia se esquecido de presentear seus filhos no campo emocional. Seus filhos eram muito unidos, mas estavam seguindo o exemplo do pai, tornando-se arrogantes e amargos. Alberto então decidiu treinar seus filhos para assumir o seu lugar, e desde então as coisas só pioravam. João e Vitor eram péssimos lideres e tratavam mal a todos.
                 Alberto não contava com o fato de que a vida dá muitas voltas, e o prepararia uma surpresa muito desagradável. Em um exame médico foi encontrada uma grave doença, e o médico após muitos exames constataram que infelizmente Alberto só teria mais dois meses de vida. Aquele grande homem severo, poderoso e muito rico se transformou em uma frágil criança; percebeu que a morte nos humaniza, já não sabia o que dizer, nem ao menos o que deveria fazer, seu mundo desmoronou. Era um homem de apenas 55 anos, muito jovem para partir desta vida, mais devido ao estresse, seus pensamentos mórbidos e uma vida dedicada somente ao trabalho, sua doença se agravou. Foi justamente nessa hora que ele percebeu que nem todo dinheiro e poder do mundo traria sua saúde de volta, muito menos compraria a felicidade de ver seus filhos assumindo a empresa, se casando e lhe dando netos, nunca compraria paz no coração. Alberto então decidiu fazer uma viagem e nesses dois meses iria refletir sobre sua vida. Deixou seus filhos responsáveis pela empresa, disse que precisava de umas férias e que viajaria pelo mundo; ele não teve coragem de dizer a verdade.
                 No dia de sua morte, João e Vitor foram comunicados, o advogado além de ser responsável pela notícia, recebeu outra missão de seu cliente Alberto e disse: João e Vítor seu pai me deixou responsável por dividir entre vocês toda a riqueza que ele acumulou durante toda sua vida, ele me confidenciou que suas riquezas estão todas dentro do cofre de sua casa e vamos até lá para abri-lo e dividir entre vocês o que ele os deixou ao partir. Mas João e Vitor pareciam nem ligar para a morte do pai, havia uma intensa briga entre eles, que praticamente lutavam pela herança; os irmãos que eram tão unidos, agora estavam em pé de guerra. João pensava consigo mesmo: Já posso até imaginar, no cofre deve haver dólares, euros, muito dinheiro, escrituras de propriedades, ações de diversas empresas pelo mundo, pode até ter barras de ouro, não vejo a hora de meter a mão na grana do velho. Vítor também pensava semelhante ao irmão: Não vejo a hora que abra logo, esse cofre deve ter muita grana, o velho era muito rico e tinha muitas propriedades e sempre deu mais importância ao material do que seu lado emocional. Até mesmo os advogados já acostumados com esses casos, ficaram completamente horrorizados com suas atitudes, então finalmente decidiram abrir o cofre.
                 Foi um momento de puro suspense e muita tensão, ao abrir o cofre eles tiveram uma surpresa e um forte choque, se olharam entre si e não entenderam nada e até se perguntaram: Isso é uma piada?  No cofre só haviam fotos e recados de quando João e Vítor eram crianças, uma foto da mãe dos rapazes, algumas poesias e textos assinados por Alberto e uma coleção de livros do Doutor Augusto Cury. Além disso, havia também uma carta que dizia: "Queridos filhos que eu tanto amo e sempre amarei, primeiramente gostaria de me desculpar com vocês pelo péssimo exemplo que dei á vocês e pelo pai ausente que fui, somente agora perto de minha morte estou me humanizando, tentei dissecar o meu ser, lapidar os meus defeitos.
                 Saibam, meus filhos, que esses foram os dois meses mais intensos da minha vida, comecei somente agora perto de minha morte a descobrir que a vida é muito mais do que o nosso exterior, eu existi somente na superfície, nos meus últimos dias entendi a verdade e a essência de nossas vidas, aprendi a contemplar o belo da natureza, tudo e todos ao nosso redor. A noite eu conversava com a lua e namorava as estrelas, voei pelo lindo céu azul na asa delta da imaginação, presenciei os pássaros cantando , aprendi a dançar com alegria a valsa da vida, fiz uma viagem como nunca havia feito antes, mas desta vez não cruzei o meridiano. Por certo vocês acham que fui á Europa? Paris? Milão? Não meus filhos desta vez viajei para dentro do meu ser, visitei os vales da sombra de minha arrogância e soberba, nesta viagem aprendi a controlar minhas emoções e filtrar meus pensamentos ruins, nunca na vida agi por impulso e através do ego, comecei a me divertir com minha insensatez e minhas mazelas, percebi que uma pessoa inteligente aprende com seus erros, mas uma pessoa sábia aprende com o erro do outro, por isso aprendam com o meu erro de como não se deve ser e viver, aprendam as grandes lições da escola da vida. Só agora dissecando o meu ser percebi que eu era autoritário e rígido por ser infeliz interiormente, me vi agora como uma pessoa porco espinho: agressiva por fora e frágil por dentro.
                 A verdadeira felicidade está na simplicidade, procuramos tanto essa tal da felicidade, quando na verdade ela mora e se esconde dentro de nosso ser, nós tentamos conquistar e seduzir a felicidade através do luxo fútil exterior, mas no final todo luxo vai para o lixo; ao morrermos não levamos nada a não ser a vida que levamos e o legado que deixamos do útero ao túmulo a única coisa que realmente existiu e sempre existirá e que irá nos libertar é o amor.
                 Eu sempre me preocupei com valores econômicos e tive poucos valores de vida, me preocupava muito com o ilusório mundo exterior e esqueci o meu fantástico e libertador mundo interior. Vivemos em uma sociedade que inverte os valores, fazem do consumismo e da ignorância uma escravidão mental, desculpe-me meus filhos, pois eu sempre os presenteei com brinquedos e muitos supérfluos materiais, mais nunca os dei atenção, afeto, carinho, nunca ouvi suas histórias, suas preferências, nunca penetrei no mundo de vocês, fui um pai no piloto automático, só agora descobri que o amor se compara a uma flor: Se não cuidamos, não regamos nossos entes queridos com afeto e carinho esse amor pode murchar como uma flor sem a água da vida. Desculpe-me meus filhos se eu os decepcionei, não havia dinheiro no cofre e nem nada material, neste cofre só guardei a verdadeira riqueza de toda minha vida, vocês meus filhos, que sempre trarei no coração, e um pouco da sabedoria que obtive durante esses meus últimos dias de vida. Nunca se esqueçam: Nunca é tarde para recomeçar. Após lerem a carta, João e Vítor decidiram fazer igual ao pai, se redescobrir se reinventar ser um eterno aluno na escola da vida, iriam se humanizar e serem eles mesmos, tiraram suas máscaras sociais, e como seu pai disse: Nunca é tarde para um novo recomeço.
TRECHO DO LIVRO 

LIVRO - MADONNA DI LORENZO



MADONNA DI LORENZO é uma história de amor que hoje em dia muita gente acredita que não existe mais. Com isso, ao escrever sobre esses amores impossíveis, além da sensibilidade, o poeta precisa acreditar no amor infinito. Assim, a história torna-se mais forte em sentimentos, ainda mais quando esses são transpostos da vida real para as páginas de um livro. Quando o amor é sincero e verdadeiro, como nas Cartas Poéticas, não existe situação difícil, pois se tem fidelidade, comprometimento e parceria. Quando se ama de verdade deve existir um só coração e duas pessoas. Que bom seria se o amor pudesse ser eterno, mas sabemos que o outro lado do amor, ou a indiferença, fere na alma, quando estamos sob o domínio da inveja, que culmina na traição. Mas, para que isso nunca acontece, precisamos aprender a enxergar a alma ao corpo, pois mesmo a alma sendo “transparente” a íris é “cristalina”, as cores mais vivas, mais vibrantes e o gosto do beijo transcende o mais alto grau da subsistência.  De certo que é preciso saber amar para poder viver, para poder viver além da vida, quando daí, verdadeiramente, poderemos afirmar com a mais absoluta certeza que o amor é eterno.
ANTONIO AUGGUSTO JOÃO

26 março 2016

LIVRO - RUA CINCO DE JULHO - 2a. EDIÇÃO

Depois de cantarmos parabéns para o Sergio, o baile começou. Num canto da garagem eu estava esquentando a parede, tomando um gole de Crush e olhando para a Nádia. Tinha muito mais meninos do que meninas e a disputa era grande. Como era o mais alto, as meninas não gostavam muito de dançar comigo. Muitas vezes, enquanto esquentava a parede, meu irmão Duduí dançava com todas, principalmente quando o baile era na casa da Agnes, que morava na mesma casa da minha avó, na Rua Albatroz.
                Naquele dia, eu havia dançado com algumas garotas do baile, mas a Nádia não queria nada comigo. Estava ficando chato e eu tinha tomado quase um litro de Crush e deu vontade de pegar a vitrola e ir embora, mas antes tive que ir ao banheiro. Na volta, a Nádia tinha ido embora e fui o único que não dançou com ela. No outro dia, na escola, a Cristina me procurou dizendo que a Nádia estava brava comigo porque eu não tinha tirado ela para dançar. Percebi a mancada e que as coisas tinham de ser diferentes. Eu deveria mudar as minhas atitudes. Mas, de tudo aquilo que aconteceu no baile, fiquei contente, pois aprendi que não podemos sempre esperar que as pessoas venham até nós, nós temos que ter iniciativa. Eu tinha só treze anos, sem que isso pudesse ser um motivo para deixar de corrigir as minhas atitudes.
              Depois, continuando e aprendendo com a vida, voltei à casa da Nádia e a convidei para assistir “Django Atira Primeiro” no Cine Soberano, e não é que ela aceitou. Para impressionar, na entrada, comprei Drops Dulcora e Bala de Anis e ela gostou muito. Ainda bem que meu pai tinha me dado vinte cruzeiros. Eu pedi quinze, ele me deu vinte. Valeu pai! Eu disse!
TRECHO DO LIVRO 

LIVRO - RESSURREIÇÃO

A doutrina da ressurreição do Salvador é extremamente preciosa. A ressurreição é a pedra angular do edifício do cristianismo. É o pilar do arco da nossa salvação. Seria necessário um livro inteiro para mostrar todas as correntes de água viva que fluem desta fonte sagrada, a ressurreição de nosso querido Senhor e Salvador Jesus Cristo; mas saber que Ele ressuscitou, e ter comunhão com Ele como tal - relacionar-se com o Salvador ressurreto em conseqüência de uma vida restaurada; vê-lo deixar o túmulo como resultado de nós mesmos termos deixado o túmulo do mundanismo - é ainda mais precioso. A doutrina é o fundamento da prática, mas, tal como a flor é mais encantadora do que a raiz, assim também a prática da comunhão com o Salvador ressuscitado é muito mais encantadora do que a própria doutrina. Gostaria de fazê-lo crer que Cristo ressuscitou dos mortos para que cantasse isto, e de dar-lhe todo o consolo possível para que entendesse este fato com certeza e testemunho; mas, até lá, eu lhe imploro, não se dê por satisfeito.  Embora você não possa, como os discípulos, vê-Lo visivelmente, mesmo assim eu lhe digo para desejar ver Jesus Cristo com os olhos da fé; e, embora não possa, como Maria Madalena, "tocá"-Lo, mesmo assim você pode ter o privilégio de conversar com Ele, e saber que Ele ressuscitou, e que você mesmo foi ressuscitado Nele em novidade de vida. Conhecer o Salvador crucificado porque Ele crucificou todos os meus pecados, é muito bom; mas, conhecer o Salvador ressuscitado porque Ele me justificou, e entender que Ele me deu nova vida, tornando-me uma nova criatura por meio de Sua própria novidade de vida, é uma experiência ainda mais sublime: sem isto, ninguém ouse ficar satisfeito. Que você possa "conhecê-Lo e o poder da Sua ressurreição." Por que razão as almas ressuscitadas com Jesus vestiriam mortalhas mundanas e incrédulas? Ressuscita, pois o Senhor ressuscitou. 
TRECHO DO LIVRO

25 março 2016

LIVRO - PAIXÃO

Os olhos do centurião ficaram ainda mais pávidos e perturbados quando Jesus mal se levanta e é amparado pela sua mãe:
Meu filho.
Com imenso amor Maria olha para Jesus, e Jesus olha para a Sua Mãe; os Seus olhares encontram-se, e cada coração verte no outro a Sua própria dor. A alma de Maria fica mergulhada em amargura, na amargura de Jesus Cristo.
- Ó vós, que passais pelo caminho: olhai e vede se há dor semelhante à minha dor!
Mas ninguém repara e ninguém presta atenção; apenas Jesus. Cumpriu-se a profecia de Simeão: uma espada trespassará a tua alma (Lc II, 35). Na escura solidão da Paixão, Nossa Senhora oferece ao seu Filho um bálsamo de ternura, de união, de fidelidade; um sim à Vontade divina. Pela mão de Maria, talvez aquele centurião também quisesse consolar Jesus. Tudo no condicional, porque o escudo e a lança não eram símbolos de compaixão, mas sim, o que verdadeiramente aquele oficial poderia estar sentindo em seu coração:
Que bom seria se o amor pudesse ser mais forte ainda do que o é, e pudesse se manifestar, mesmo encaixotado, congelado e petrificado, como no coração do centurião. Só assim saborearíamos a doçura da Cruz de Cristo e abraçá-la-íamos com a força do Amor, levando-a em triunfo por todos os caminhos da terra.
Que mãe, porém amou a seu filho, tanto quanto Maria amou a Jesus? Ele que Lhe era Filho e Deus, ao mesmo tempo. Ao ver chegar o momento da Paixão e ao notar que faltava pouco tempo para perder o Filho, inundados de lágrimas permaneciam os olhos de Maria, um suor frio; causado pelo terror que lhe assaltava a proximidade da morte de Seu Filho, lhe cobria todo o corpo. Se juntássemos todas as dores do mundo, ainda não se igualariam às penas da Virgem Maria. Quanto maior era o sofrimento D’Ela, maior também a ternura com que O amava. Especialmente ao encontrá-Lo com a Cruz às costas, rumo ao Calvário.
E tão logo João diz à Mãe dolorosa que Seu Filho fora condenado à morte, e que Ele mesmo carregava a Cruz aos ombros para o lugar chamado Calvário (conforme João 19,17). Partiu Maria imediatamente ao encontro D’Ele.
A Mãe aflita tomou “um atalho para ficar depois esperando numa esquina pelo Filho atribulado”. E estando ali à espera D’Ele, “foi reconhecida pelos judeus e deles teve de ouvir injúrias contra seu amantíssimo Jesus”. Talvez tivesse também de escutar escárnios contra Si mesma. Mas, martírio sofreu e que espada de dor transpassou então a alma dessa Mãe dolorosa, ao ver e contemplar os funestos instrumentos de martírio, da morte de Seu Filho, que passavam em lúgubre desfile diante D’Ela! De repente, fere seus ouvidos um estridente som de trombeta; e leram a sentença da morte lavrada contra Jesus. Já desfilaram o arauto, os instrumentos do martírio e os oficiais de justiça. E, agora, Maria ergue os olhos e vê...
Ó Deus, um homem, na flor dos anos, todo coberto de sangue e de chagas, da cabeça aos pés, coroado de espinhos, carregando às costas um pesado madeiro, curvado ao peso ignominioso do instrumento de suplício.  
Maria, Sua Mãe, olha-O e quase não O reconhece mais... Ele é uma só chaga, as feridas, as contusões e o sangue enegrecido, desfiguram-No, só se vê sangue. E, ainda, é ligado com fortes e dilacerantes cordas, cercado de guardas, que com suas mãos criminosas, O arrastava, pelas ruas de Jerusalém, enquanto um único oficial apenas olhava com olhos hipnotizados de medo ou arrependimento – Sugeria o Sr. Herbert em sua descritiva narrativa.
Podíamos perguntar: quem é este Homem que mais parece com um verme pisado?
Ainda que fosse um criminoso ou réu de nefandos crimes merecia a compaixão dos corações humanos, ainda mais sendo Homem-Deus! Sim, o Deus que se fez Homem por amor a nós e que agora se encontra neste estado.
Que espada de dor transpassou mais ainda a alma da Mãe, ao ver a que estado lastimoso Jesus fora reduzido?
De um lado Maria desejava contemplá-Lo, de outro não tinha coragem de olhar para o Seu rosto, tão digno de comiseração. Maria não morreu, nem desfaleceu de dor, ali neste momento, por altos e sábios juízos da Providência de Deus. Mas Ela padeceu tormentos e Sua dor foi sem limites, que já seria suficiente para lhe dar mil mortes. A Mãe queria abraçar o Filho, mas os algozes injuriosamente A repeliam, e empurravam para diante o acabrunhado Salvador.
TRECHO DO LIVRO

13 março 2016

LIVRO - ALGUMAS CARTAS GUARDADAS NA MEMÓRIA - 2a. EDIÇÃO

Quando alguém que você ama some, desaparece de várias formas, logo vem à solidão. E com a solidão, vem a saudade. O coração em desalinho, então, desalimenta-se do combustível do amor, do carinho, do afeto, do corpo físico, da paixão...
            De tantos sentimentos, sinônimos do amor. A dor é muito forte e o único remédio que pode conter a saudade é o tempo. Mas esse é cruel. Morremos ansiosos pelas beiradas da alma, pelos cantos da razão ou pelo "tiro" no peito, "infarto agudo" do coração. Quem nunca sentiu saudade? Engana-se. Saudade eu tenho agora, neste instante, da última vez que falei com você, que olhei em seus olhos e murmurei: Te amo.
            Mas você não pode ouvir - Eu sei - Por isso eu sinto saudade. Saudade de quando chorei quando você nasceu, quando você disse "papai" pela primeira vez, quando você me disse "obrigado" por ter te ensinado o dever de casa. Saudade eu tenho de você meu amor.
            Mas Deus me mostrou o caminho.
            Ele me ensinou que você veio para me engrandecer, elevar o meu espírito e poder ser um portador do amor a quem necessite a todos meus irmãos da vida. Mas eu sinto saudade. O que posso fazer? Quando você esteve em mim, no leito em que eu me derramava de dor, foi como um sonho... Foi num sonho que Deus enviou você do lado do meu leito para que as minhas chagas pudessem ser estancadas e que o meu coração pudesse se reabastecer de amor.
            Daí em diante, como em tantas outras vezes, Deus provou-me que existe, pois trouxe você de volta pra me acalentar, pra me curar. Então, como não posso sentir saudade, se eu olho do lado do meu leito e não vejo mais você? Foi só num sonho. Eu precisava deste sonho e "Deus me fez sonhar". Peço perdão a Deus, pois não sou digno de sentir saudade e as lágrimas que escorrem do meu rosto quando escrevo este texto, são de alegria e contentamento por saber que você está ao lado de Deus assim como esteve ao meu lado, quando precisei. Você esteve me olhando e me cuidando por interseção de Deus.
            E com isso meu coração novamente se encheu novamente de felicidade, de amor em abundância que posso dividir com tantos amigos, com tantos parentes, com meu filho, meus irmãos e com você que está lendo esse texto. Todos cabem aqui dentro. Meu coração não é meu. Ele é do tamanho do mundo e estará sempre disposto a doar o amor, seja pra quem for.
TRECHO DO LIVRO

06 março 2016

LIVRO - A HISTÓRIA DE COLBI EDUARD RYAN 2a. EDIÇÃO

No dia seguinte, uma chuva rápida pela manhã, mas logo o céu voltou de brilho intenso. Com o mar em águas calmas, resolvi ir nadando até os rochedos. De lá, tinha-se uma vista fascinante do encontro do mar com o céu – Uma obra de arte de Deus. Depois de ter ido e vindo por várias vezes da praia até os rochedos resolvi dar um mergulho mais profundo, até onde meus pulmões pudessem aguentar. Impressionante como era magnífico ver tudo aquilo. E num ponto distante dos rochedos até a ponta da praia, avistei entrando no mar, ela, a Sereia. Parecia que andava sobre as águas e mergulhava em câmera lenta. Naquele dia estava decidido em me aproximar e saber quem era de onde vinha, o que fazia... Por que sumia daquela maneira, por que estava sempre sozinha. Enfim, desvendar o mistério daquela mulher fascinante. Mas os dias se passaram e eu não conseguia me aproximar da Sereia. Era muito estranho: Toda vez que avistava, ela estava de olhar sereno, adocicado, parecia que me vigiava à distância, que seguia os mesmos passos, mas que por incrível que poderia parecer, nunca existiu uma situação em que eu pudesse conversar com ela. Era incrível, mas a pura realidade.

TRECHO DO LIVRO