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25 de março de 2016

LIVRO - PAIXÃO

Os olhos do centurião ficaram ainda mais pávidos e perturbados quando Jesus mal se levanta e é amparado pela sua mãe:
Meu filho.
Com imenso amor Maria olha para Jesus, e Jesus olha para a Sua Mãe; os Seus olhares encontram-se, e cada coração verte no outro a Sua própria dor. A alma de Maria fica mergulhada em amargura, na amargura de Jesus Cristo.
- Ó vós, que passais pelo caminho: olhai e vede se há dor semelhante à minha dor!
Mas ninguém repara e ninguém presta atenção; apenas Jesus. Cumpriu-se a profecia de Simeão: uma espada trespassará a tua alma (Lc II, 35). Na escura solidão da Paixão, Nossa Senhora oferece ao seu Filho um bálsamo de ternura, de união, de fidelidade; um sim à Vontade divina. Pela mão de Maria, talvez aquele centurião também quisesse consolar Jesus. Tudo no condicional, porque o escudo e a lança não eram símbolos de compaixão, mas sim, o que verdadeiramente aquele oficial poderia estar sentindo em seu coração:
Que bom seria se o amor pudesse ser mais forte ainda do que o é, e pudesse se manifestar, mesmo encaixotado, congelado e petrificado, como no coração do centurião. Só assim saborearíamos a doçura da Cruz de Cristo e abraçá-la-íamos com a força do Amor, levando-a em triunfo por todos os caminhos da terra.
Que mãe, porém amou a seu filho, tanto quanto Maria amou a Jesus? Ele que Lhe era Filho e Deus, ao mesmo tempo. Ao ver chegar o momento da Paixão e ao notar que faltava pouco tempo para perder o Filho, inundados de lágrimas permaneciam os olhos de Maria, um suor frio; causado pelo terror que lhe assaltava a proximidade da morte de Seu Filho, lhe cobria todo o corpo. Se juntássemos todas as dores do mundo, ainda não se igualariam às penas da Virgem Maria. Quanto maior era o sofrimento D’Ela, maior também a ternura com que O amava. Especialmente ao encontrá-Lo com a Cruz às costas, rumo ao Calvário.
E tão logo João diz à Mãe dolorosa que Seu Filho fora condenado à morte, e que Ele mesmo carregava a Cruz aos ombros para o lugar chamado Calvário (conforme João 19,17). Partiu Maria imediatamente ao encontro D’Ele.
A Mãe aflita tomou “um atalho para ficar depois esperando numa esquina pelo Filho atribulado”. E estando ali à espera D’Ele, “foi reconhecida pelos judeus e deles teve de ouvir injúrias contra seu amantíssimo Jesus”. Talvez tivesse também de escutar escárnios contra Si mesma. Mas, martírio sofreu e que espada de dor transpassou então a alma dessa Mãe dolorosa, ao ver e contemplar os funestos instrumentos de martírio, da morte de Seu Filho, que passavam em lúgubre desfile diante D’Ela! De repente, fere seus ouvidos um estridente som de trombeta; e leram a sentença da morte lavrada contra Jesus. Já desfilaram o arauto, os instrumentos do martírio e os oficiais de justiça. E, agora, Maria ergue os olhos e vê...
Ó Deus, um homem, na flor dos anos, todo coberto de sangue e de chagas, da cabeça aos pés, coroado de espinhos, carregando às costas um pesado madeiro, curvado ao peso ignominioso do instrumento de suplício.  
Maria, Sua Mãe, olha-O e quase não O reconhece mais... Ele é uma só chaga, as feridas, as contusões e o sangue enegrecido, desfiguram-No, só se vê sangue. E, ainda, é ligado com fortes e dilacerantes cordas, cercado de guardas, que com suas mãos criminosas, O arrastava, pelas ruas de Jerusalém, enquanto um único oficial apenas olhava com olhos hipnotizados de medo ou arrependimento – Sugeria o Sr. Herbert em sua descritiva narrativa.
Podíamos perguntar: quem é este Homem que mais parece com um verme pisado?
Ainda que fosse um criminoso ou réu de nefandos crimes merecia a compaixão dos corações humanos, ainda mais sendo Homem-Deus! Sim, o Deus que se fez Homem por amor a nós e que agora se encontra neste estado.
Que espada de dor transpassou mais ainda a alma da Mãe, ao ver a que estado lastimoso Jesus fora reduzido?
De um lado Maria desejava contemplá-Lo, de outro não tinha coragem de olhar para o Seu rosto, tão digno de comiseração. Maria não morreu, nem desfaleceu de dor, ali neste momento, por altos e sábios juízos da Providência de Deus. Mas Ela padeceu tormentos e Sua dor foi sem limites, que já seria suficiente para lhe dar mil mortes. A Mãe queria abraçar o Filho, mas os algozes injuriosamente A repeliam, e empurravam para diante o acabrunhado Salvador.
TRECHO DO LIVRO

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