
... Uma loucura ou quem sabe um delírio? Será que eu estava mesmo ali ou seria tudo fruto da minha imaginação. Sem saber muito que fazer, resolveria então remar, remar e remar com minhas próprias mãos em busca de uma luz ao final daquele túnel interminável... Eu não tinha mais em meus pensamentos a imagem de Laura e pediria para o homem de cabelos e barbas longas que já houvera me salvado nas tempestades que pudesse me ajudar mais uma vez, pois não tinha mais forças para remar. De tanto chamá-lo e pedir pela sua ajuda, tive em minha consciência que caso fosse me afogar ele viria me buscar. Andaria sobre as águas... Andaria comigo sobre o “rio de sangue”. Desisti de remar e encostei meu corpo sobre um lodo de barro fedorento e os monstros a quem eu descrevia como sinônimos do mal e de todo o sofrimento estavam cada vez mais perto de mim, tentando me laçar com seus tentáculos. Resolvi esperar o que poderia acontecer, pois eu me sentia vencido e sem ninguém que pudesse me ajudar. Se tudo aquilo fosse uma provação, eu teria conseguido suportar o que podia. Não tinha mais como fugir ou enfrentar o perigo. Fui até as minhas ultimas conseqüências e agora estava precisando desesperadamente de ajuda. Talvez Laura, o homem de barba e cabelos longos... Quem sabe. Os monstros são impiedosos, não tem misericórdia, não perdoam e o que mais lhe dão prazer é sentir que suas presas não podem lutar. De certa maneira, toda a nossa vida também é assim. Para alcançarmos o nosso espaço, o nosso lugar, temos que lutar contra toda e qualquer desonestidade, inveja, traições, falsidades, mentiras... Alimentos que fortalecem os monstros, que sentem prazer em ver-nos sem defesa. E em meu derradeiro enfrentamento com os monstros, ainda encontrei forças para proferir palavras que vinha do fundo da minha alma e que não me deixava com medo de encará-los, pois a falsidade e a mentira dos monstros são irmãs de sua inveja e por isso que estão aqui neste lugar horrível de trevas, fogo e sangue. A falsidade e a mentira caminham juntas. E lá, bem escondida, a inveja é a raiva do que os monstros queriam ser como você e te encontraram mesmo não sendo você uma pessoa de destaque. O que importa é se você sabe algo fazer. Então eles fingem ser seu melhor amigo, maior confidente. Em sua mente doentia e torpe, os monstros vão recolhendo dados, informações, demonstrando gestos e cara de anjos. Sentem suas dores e chora com você. Fala da falsidade e da mentira como algo terrível, que eles não podem conceber... Vão conquistando sua confiança com palavras doces, gestos de bondade e felicidade, mas que na realidade contém dardos de veneno capazes de promover a desunião entre amigos sinceros que se queriam bem. Um belo dia, sua máscara cai perante todos e encontramos a verdadeira face dos monstros... Seres débeis, fracos e covardes, que na realidade nunca foram nada e nunca será alguém. Quem sabe missão de eu estar aqui é fazer com que esses monstros enxerguem de uma vez por todas esse terrível mal que travestem suas almas penadas de sofrimento, dor e ódio que o fazem gritar desesperados, mas não no sentido de ter os puros como alimentos e sim de que os puros possam ensiná-los novamente o que é o amor. E ao enfrentá-los usamos nossas armas da sabedoria, da misericórdia e do amor, pois esses monstros não ferem ninguém, pois suas forças são como gotas de orvalhos congelados que derretem com o calor do amor que os justos trazem em seus corações. Portanto, monstros, eu estou aqui, vivo, pronto para lutar e as minhas armas são o amor e a misericórdia e então, monstros, não tentem me ferir mesmo que eu esteja cansado, sem forças e caído no chão. Se estiver fraco e sem coração, não perderei meu raciocínio, nunca, e você não vai me ferrar. Se eu estivesse cego, poderia ser ágil do mesmo jeito e me desviar dos seus tentáculos de inveja e falsidade. Mesmo debilitado, afogando-me nos “rios de sangue”, poderei reunir forças para não deixar que você sugue o meu sangue. Se me vir agonizando, tome cuidado: Será o meu amor misericordioso se recompondo e poderá ser uma “armadilha” para eu “matar” de vez a inveja e a falsidade que habita o teu ser. Vivo guardado em meu mundo e se você quiser entrar, prove para mim o seu amor, sua caridade e sua devoção. Daí, apaziguador, eu te libertarei de todo o mal e te reconduzirei para o caminho dos justos e é por isso que eu estou aqui. Eu vim te buscar, monstro. Então o “rio de sangue” fez-se mar de águas cristalinas, azuis esverdeadas, e eu estava sentado nos rochedos novamente, nos braços de Laura, chorando feito uma criança, um menino que pede por sua mãe, um homem que enxerga o amor no calor dos braços da Laura Mars. >>> Antonio Auggusto João
>>> Trecho do Livro: "Que se Quebrem as Ondas do Mar" - A História de Colbi Eduard Ryan - em Julho disponível para venda