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24 de janeiro de 2016

LIVRO - RUA CINCO DE JULHO - BURACO NA ALMA NO CAMPO DE SONHOS

LANÇAMENTO EM FEVEREIRO 2.016
Quando me deitei naquela noite sentia dor em todo o corpo, razão pela qual quão grande foi o meu esforço o dia todo. Ao sentir que o sono estava chegando, via alguns fleches de luzes amarelas que cansavam meus olhos. Vinha em minha mente o gol incrível que eu havia perdido e a grande defesa no nosso goleiro Cação. Todas as noites, antes do sono chegar, pensava como seria marcando o gol do título, numa grande final de campeonato, ainda mais que na única final que eu havia disputado na vida, perdemos de três a zero. Lembrei-me da tristeza que foi quando perdemos o jogo e o título. Lembrei-me do meu amigo Ratinho, que driblou o goleiro, me deu um passe açucarado e chutei pra fora. Lembrei-me também que ele havia sido chamado por Deus uma semana após perdermos o título, e com nove anos de idade, foi muito difícil eu entender. Sonhava com ele quase todos os dias e no sonho, ele me passava a bola e eu devolvia pra ele marcar o gol.
                   Sonhar com pessoas do passado é muito comum. Essas pessoas podem ser aquelas pessoas que gostávamos ou não e que se foram, faleceram. Estes tipos de sonhos têm um significado simbólico. Algumas das pessoas nesses sonhos podem simbolizar características e traços de personalidade semelhantes ao seu ou representam aspectos sobre si mesmo que você gosta ou não. Se você sonhar com alguém que você conheceu que era muito agressivo essa pessoa pode representar a sua própria agressividade ou representar alguém que está sendo agressivo com você agora. O que este tipo de sonho está tentando lhe dizer sobre você mesmo ou outras pessoas em sua vida?
                   Se você sonhar com amigos da sua infância, isso pode significar que você tem saudade de um tempo passado, quando você tinha menos pressões e responsabilidades. Também pode simbolizar o estresse ou pressão que você teve em sua própria vida enquanto crescia. Alguns desses velhos amigos podem representar esses estressores. Na verdade, você pode estar enfrentando esses mesmos fatores de estresse em sua vida de vigília adulta (seja em um relacionamento ou no seu emprego), como ocorria quando você era uma criança. Estes velhos amigos de seu passado também podem lembrá-lo de algumas pessoas com os quais você está lidando em sua vida diária atual, tanto seus olhares, comportamentos ou ações - boas ou ruins. Às vezes os sonhos com amigos de infância indica que você teve alguns negócios inacabados com essas pessoas (como o passe que recebi do Ratinho e chutei pra fora), pode representar algo que você gostaria de ter feito diferente. Além disso, pode haver alguém em sua vida de vigília agora que desperta os mesmos sentimentos dentro de você. Se você sonhar sobre as pessoas que o magoaram, eles podem aparecer quando você está enfrentando pressão de desfazer em sua vida de vigília. Talvez você só pode estar faltando a pessoa no seu sonho, ou que tipo de amizade valorizado. Se você está tendo sentimentos de fracasso em sua vida atual e você tem velhos amigos que você sabe que se tornaram mais bem sucedidos do que você, seu subconsciente pode trazê-los em seu sonho por causa de seus medos, inadequações e ciúmes.
                   Às vezes, velhos amigos que você teve um desentendimento aparecem em seus sonhos. No sonho você tentar abordá-los de uma forma amigável, mas é rejeitado. Isto pode representar sentimentos de culpa, tristeza e perda, ou que você nunca se reconciliou. Às vezes, esses sonhos podem ser recorrentes, que pode estar provocando ansiedade e irritante.
Sempre olhe para as situações que acontecem com as pessoas em seus sonhos. Ao fazê-lo, isso vai ajudar você a entender as mensagens que o sonho pode estar enviando sobre si ou sobre o seu relacionamento com os outros.
                   Eu quis muito pedir uma bola nova ao meu pai no dia do meu aniversário, mas estava mesmo precisando de um tênis novo. O meu bamba branco estava todo detonado no bico de tanto chutar no gol. Eu gostava de chutar de longe, testar o goleiro, surpreendê-lo e, assim, não havia tênis que resistia. Comprar um Ki-Chute nem pensar; Era muito caro e eu tinha medo de pedir para meu pai. Meu pai dizia que o Ki-Chute era “pra gente rica”, mas me contentava com o tênis bamba. Fazer aulas de educação física, jogar bola na rua de terra, na quadra de cimento quebrado na escola... Sempre de bamba!
                   Acordei assustado na sexta feira, pensando ser sábado - Vai ter jogo decisivo contra os caras da Rua Marcos Portugal! Vieram me avisar logo cedo. O jogo seria no sábado. Fui ao banheiro e ouvi minha mãe conversando com minha Tia Isabel na cozinha. Senti aquele aroma doce do café que minha mãe fazia. Fui até a cozinha dar bênção à minha Tia, que me abraçou e me deu um caixa embrulhada em papel de presente.  Lembrei que era o dia do meu aniversário. Meus olhos se arregalaram quando olhei para minha Tia e minha Mãe com um sorriso largo no rosto. – Obrigado Tia Isabel!  Abri a caixa e meus olhos se arregalaram novamente quando vi o presente: Era tudo que eu queria ter: Um calção preto com uma listra branca vertical dos lados. Combinava com a minha camisa branca e meu meião também branco.  - Só falta um tênis novo. Disse, olhando para minha Mãe. Até então, a data do meu aniversário, apesar do presente, estava em segundo plano, afinal, no dia seguinte  teríamos um jogo decisivo contra os caras da Marcos Portugal e eu estava concentrado no jogo. Quando disse que faltava o tênis, senti um ar de melancolia na expressão facial da minha mãe. Tomei o meu leite com café e fui para a rua me reunir com os caras do meu time e combinar a estratégia para vencermos o jogo. No meio da rodinha com os amigos, percebi que minha mãe havia saído à francesa de casa. Foi em direção a Rua Vergueiro, no ponto 22, onde tinha comércio, padaria etc. Depois de quase uma hora, percebi minha mãe entrando de fininho em casa segurando um pacote. Pensei no bolo, afinal, apesar de não me fazer importância, era o dia do meu aniversário, mas tinha o jogo contra os caras da Rua Marcos Portugal e valendo flâmula!
                   Continuei conversando com os amigos e observando a garoa fina que começara a cair. A Rua Cinco de Julho era de terra e se a garoa apertasse teríamos que decidir o jogo no barro. Imaginei como ficaria a cor da minha camisa e do meu bamba, brancos. Ao colocar os meus olhos de frente à Rua da Transmissão me veio várias pessoas à mente. Várias situações, muitas festas, muitas alegrias e você que está lendo esse livro pode ter certeza que me lembrei de você, na Rua Cinco de Julho:
                   Quando anoitecia, depois de voltar da escola e jogar o meu futebol na rua, minha mãe preparava o jantar e eu não tirava os olhos do prato do meu pai. Pensava um dia ser forte como ele para ter um chute possante e ser o artilheiro do time da escola. Após o jantar, subia as escadas e antes mesmo de chegar à rua, olhava para o céu e tentava descobrir diante de milhares de estrelas, qual tinha o mais intenso brilho e sonhava com um futuro alegre e pedia a Deus para que a minha família e os meus amigos sempre estivessem bem perto de mim. E daquele cenário eu não tirava os olhos da placa grudada no poste em frente à casa do Seu Mario e da Dona Vitalina, em que se lia RUA CINCO DE JULHO.
                   E as lágrimas que caíam do meu rosto nas várias vezes que sonhava que estava brincando na Rua, se confundiam com a desilusão de ver minha bola de capotão estática, “sentada” no telhado da casa da Dona Geni, da Dona Alice, no quintal da Dona Violeta ou do Seu Valter, pai do Chico Louco, esperando o dia amanhecer para que de uma forma ou de outra eu pudesse tê-la novamente em minhas mãos, em meus pés, mesmo mordida pelos cachorros, para que ela pudesse ser o complemento de tantas histórias que eu viveria no templo sagrado chamado RUA CINCO DE JULHO.

                   - Tinho! Vem pra dentro! Tá garoando!
Minha Mãe estava me chamando. Resolvi entrar e descobrir o que ela tinha ido fazer no ponto 22. Entrei em casa correndo, sem antes dar uma volta no pé de limão que ficava bem no meio do quintal. Entrei na cozinha numa vula e dei de frente com minha Mãe segurando uma caixa.

                   - Tome meu filho! É pra você!
Era uma caixa contendo um par de bamba branco, novinho, número trinta e cinco! Dei um longo abraço em minha Mãe, afinal, era o dia do aniversário dela também, nascemos no mesmo dia. Não demorou muito tempo e fui para a Rua com o tênis no pé, calção preto que ganhei da minha Tia Isabel e minha camisa branca. Apesar da garoa, minha mãe não achou ruim, pois afinal era dia do nosso aniversário.
                   Meu irmão trouxe a bola de capotão e começamos a brincar na Rua. Não demorou também para estarmos todos sujos de barro, mas aquele dia, minha mãe poupou a bronca.  
                - Tinho! Vem tomar banho! Tá na hora de ir para a escola!
Entrei correndo em casa, tomei banho, coloquei o uniforme do Grupo Escolar Professor Odon Cavalcanti e fui para a escola. Chegando à sala numero dois, a Professora Julieta estava com um sorriso largo no rosto. Foi só me sentar que todos se levantaram e começaram a cantar parabéns a você!

          Foi então que caiu a minha ficha. O fato de termos jogo decisivo no sábado contra os caras da Rua Marcos Portugal, valendo flâmula, fazia com que eu me esquecesse de que era o dia do meu aniversário. Recebi os cumprimentos de todos os meus amigos e sai da sala para ir até a copa buscar uma faca para cortar o Bolo Pullman que minha mãe havia enviado para os “parabéns a você”. 
Trecho do Livro
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