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29 de agosto de 2016

LIVRO - O QUE É O AMOR?

RAIN

    Da janela do meu quarto conseguia avistar a rua e a varanda da casa de Olivia. Sempre me arrumava com antecedência, vestia o uniforme para ir à escola e ficava esperando o momento certo de sair de casa para poder dar de cara com Olivia. Olivia Rain era muito orgulhosa. Sabia quem eu era, estudávamos na mesma classe, os nossos pais se conheciam e se davam bem, mas era difícil conseguir tirar um sorriso ou um boa tarde de Olivia.  Talvez porque seu pai não gostava que a gente jogava futebol na rua, em frente sua casa, e que às vezes tinham a desagradável surpresa de ver nossa bola de futebol cair em seu jardim. Quando eu chegava na rua, Olivia saía de casa e eu a acompanhava - ela de um lado e eu de outro. Ela sabia que eu estava ali, praticamente seguindo-a, como se eu fosse seu guarda costa. No meio do caminho encontrávamos outros amigos e conhecidos, uniformizados, que também caminhavam em direção ao colégio e daí, me perdia de Olivia e só íamos nos encontrar dentro da sala de aula. A Sra. Rain dizia a minha mãe que era para eu ficar de olho em Olivia, principalmente na volta do colégio, quando as ruas ficavam na penumbra. Eu obedecia, mas, apesar de tentar puxar conversa, para Olivia era como se eu não existisse. Olivia sempre foi linda! Sem uniforme, quando soltava os cabelos e vestia a calça rancheira apertada, deslumbrava e causava furor. Por ser filha única, sempre foi mimada pelos pais, Sr. e Sra. Rain. Melhor aluna da classe, tinha o apelido de nariz empinado, pois escolhia a dedo os amigos e não sentava no fundão da sala de aula. Mas, às vezes julgamos as pessoas sem conhecê-las direito e quando realmente conhecemos temos uma surpresa e foi essa surpresa que eu procurava encontrar em Olivia. Uma surpresa agradável! O inverno chegou e a chuva também. Teríamos aulas de reposição. Tínhamos que ir ao colégio todos os dias e praticamente não tivemos férias. Certo dia amanheceu chuvoso e frio, justamente no dia do exame de matemática. Naquele dia foi difícil pular da cama - avancei a madrugada estudando, pois precisa tirar uma boa nota no exame. Me atrasei ao me arrumar, olhei pela janela e não vi Olivia e pensei que talvez alguém havia levado-a ao colégio devido a chuva.
    - Tchau mãe!
    - Tchau filho!  Pegou o guarda chuva?
    - Sim, peguei o guarda chuva do papai!
    O guarda chuva do meu pai era bem grande e debaixo dele nunca iria me molhar. Tinha que chegar logo no colégio, pois o Seu Alcides, professor de matemática, não tolerava atrasos. Subi as escadas em direção à rua e me deparei com uma chuva forte. Abri o guarda chuva e para minha surpresa, avistei Olivia na varanda de sua casa, parada, olhando para o céu, esperando a chuva passar para poder sair. Percebi que estava aflita, pois não poderíamos chegar atrasados. Percebi que minha chance havia chegado. Olivia não tinha outra opção, somente a proteção do meu guarda chuva.
    - Vamos Olivia, senão chegaremos atrasados para o exame de matemática!
    Olivia saiu correndo da varanda, desceu as escadas em direção à rua e fiquei esperando ela chegar, como uma princesa que vem aos braços de seu príncipe encantado. Caminhamos em direção ao colégio quando a chuva apertou novamente.
    Apesar do guarda chuva gigante, a chuva molhava meu ombro, quando Olivia me disse:
    - Me abraça senão você vai se molhar!
Me senti nas nuvens abraçando Olivia, sentir seu corpo colado ao meu e seu perfume tinha o cheio das rosas do jardim da Sra. Rain. Fiquei tão emocionado de abraçar Olivia que nem sabia o que dizer. Ela sorria com a situação é aquilo foi bom, melhor ainda quando ela me chamou pelo nome e disse:
    - Não sei o que seria de mim se não fosse você.
Ela me agradecia muito, enquanto apertava meu corpo e eu concluía que ela não era tão orgulhosa.
    Olivia era um amor de garota! Chegamos ao colégio faltando poucos minutos para começar o exame. Sentamos um ao lado do outro. Tirei um lenço branco que minha mãe sempre colocava no bolso de trás da minha calça de uniforme e dei para Olivia se secar dos respingos da chuva.
    - Ela sorriu pra mim novamente e eu até deixei de lado o nervosismo que sempre tinha quando fazia o exame de matemática.
    Parecia um sonho! Um sonho real por assim dizer, mas eu tinha que me ater ao pesadelo do exame de matemática, que estava muito difícil e eu precisava tirar uma boa nota.
    Depois de uma hora, vi quando Olivia se levantou. Ela havia terminado o exame. Eu continuei quebrando a cabeça para resolver os exercícios de matemática.  Olhei para o céu pela janela da sala de aula e vi que ainda estava chovendo e o dia escurecendo. Naquele instante não poderia ficar pensando em Olivia e tratei de me concentrar no exame.
    - Faltam dez minutos!
O professor Alcides parecia um cientista maluco e sua voz sarcástica dizendo que o tempo do exame estava se esgotando serviu para todos se apressarem. O exame estava muito difícil, mas senti que poderia alcançar a nota que precisava. Eu tinha estudado muito e fiquei tranquilo.
    Ao sair do colégio, olhei para o céu e vi que a chuva caia ainda mais forte. - Onde estaria Olivia?
Talvez a Sra. Rain tenha vindo buscá-la ou teria ido de carona no guarda chuva de algum colega.
    Sai despreocupado e sozinho. Pulei algumas poças d´água que se acumulavam na rua, quando ouvi uma voz doce me chamando: - Posso ir com você?
    Era Olivia. Estava debaixo do toldo da papelaria que ficava próxima ao colégio: - Vamos Olivia!
    Novamente lá estava eu, abraçado à minha amada, sentindo seu corpo e seu cheiro, debaixo do guarda chuva que eu havia pegado emprestado do meu pai e que fazia com que pudesse proteger Olivia das águas da chuva que eu nunca imaginava que sentiria alegria por tanta enxurrada.
    - Eu não consigo pular!
    Existia uma grande poça d´água à nossa frente. Eu já estava com os pés todo molhado e meu sapato já tinha ido pro saco. Oliva nunca conseguiria pular aquela poça.
    Delicada, delicadíssima como uma pétala de rosa, Olivia não conseguiria pular. Pensei rapidamente numa solução, pois não poderíamos ficar ali parado, já era tarde e a chuva não cessava. Foi então que pedi para Olivia segurar o guarda chuva. Peguei-a no colo e passei por dentro da poça d´água, sem importar em me molhar, sem importar em perder o meu sapato... O importante foi que o meu amor estava no meu colo, doce como a suavidade de seu rosto colado junto ao meu e pelo brilho de seus olhos coloridos olhando aos meus.

    Transportamos a poça d´água, senti que não existiria mais nenhuma barreira entre os nossos corações e fomos premiados por um longo beijo que me fez sentir o gosto do mel da boca de Olivia, o grande amor da minha vida. E quando a chuva passou, as rosas do jardim da Sra. Rain brotaram novamente e emanadas pelos raios de sol, se confundiram com a beleza de Olivia, a rosa mais bela do meu jardim.
TRECHO DO LIVRO 

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