Aprendi que o único remédio para curar a saudade
é o tempo, porém, a dor não passa na primeira dose nem tampouco ameniza
rapidamente. É preciso um pouco mais de concentração, distração, e a melhor
coisa que se tem a fazer é se apegar em alguma coisa como, por exemplo, um
trabalho, uma viagem, tomar gosto por ler, escrever, passear... O que não pode
ser feito e se trancar num quarto escuro e não ver o sol nascer e nem se por. É
claro que isso não é uma receita infalível que vai servir de base para todo
mundo, pois depende muito se a pessoa quer superar o trauma, o drama, pois
esquecer é impossível e as recaídas são consequências normais durante esse
“tratamento”. A base de tudo é Deus, seja qual a religião você praticar. Não se
chateie nunca com Deus, pois às vezes custamos a entender qual foi o propósito
do acontecido e veremos e compreenderemos que assim como nós, Deus também sente
saudade de seus anjos e os chamam de volta antes do normal em nosso conceito. A
única coisa que ainda me deixa angustiado é que, apesar de acreditar que o que
chamamos de morte possa ser a nossa vida eterna, a saudade de abraçar e beijar
quem você ama e que não mais vê pode causar uma depressão, uma tristeza muito
grande e é contra isso que devemos reagir e buscar outros propósitos, se apegar
em pessoas e coisas que possam nos proporcionar de novo a alegria, para
aproveitarmos nossos momentos, mesmo depois de uma tragédia, uma tempestade, um
dilúvio, pois se acreditarmos no Todo Poderoso, as águas dos tsunamis serão
calmaria se a paz estiver em nossos corações>>>> TRECHO DO LIVRO
Antonio Auggusto João
13 julho 2014
24 junho 2014
POR UM TRIZ !
O médico estava desesperado e eu não sabia o que estava acontecendo. Eu não estava sentindo absolutamente nada e comecei a sentir um medo terrível quando dois enfermeiros entraram na sala para “socorrer” o médico, sim “socorrer o médico”, pois parecia que ele estava tendo um ataque de nervos. Quando os enfermeiros olharam para o monitor onde o médico, tremendo, apontava com o dedo indicador, eu desci da esteira e olhei também. Não sentia nada, pensei que o médico é que estava com algum problema, mas todos os fios e todo monitoramento estava sendo feito no meu coração. E foi quando eu ouvi a palavra “morte súbita” que me desesperei. Achei que eu estava morrendo e que o médico e os enfermeiros estavam tentando descobrir a causa. Mas como? Eles olhavam para mim, todos com cara de choro e eu olhava para o monitor tentando entender alguma coisa, quando perguntei:
- Meu coração está parando?
Ninguém respondeu. Ouvi alguém dizer que a ambulância já estava chegando. Pediram para eu deitar numa maca e retiraram os fios do meu peito. Será que Deus está me poupando, pensei? Li em alguns livros que quando você está prestes a morrer, Deus te pouca do sofrimento e na verdade você não sente nada, pois instantes de morrer você sai do corpo e se transforma em espírito, sendo que em alguns casos você pode até assistir sua própria morte. Comecei a rezar baixinho, pois sei que Deus pode me ouvir, pode ler meu pensamento. Pensei nos meus filhos, pensei nos meus irmãos, pensei em escrever em um papel as senhas e os códigos para que alguém do escritório pudesse dar sequencia ao meu trabalho. Pensei e via a imagem de Nossa Senhora Aparecida. A ambulância chegou e eu fui colocado preso numa maca.
- Cadê o desfibrilador?
Perguntei ao motorista da ambulância, pois o médico havia sumido e os enfermeiros olhavam para mim como se eu fosse um E.T.
- Vamos seguir para o Hospital Paulistano. Disse o motorista, que também estava vestido de branco, como nos filmes espíritas que eu já havia assistido.
Ouvi o motorista dizendo e um dos enfermeiros mencionando mais uma vez a palavra “Morte Súbita”.
- Você tem o telefone de algum parente seu? Perguntou o médico, que apareceu na ambulância e não estava mais chorando.
Eu dei o telefone do meu irmão e pedi para dar um recado para os meus filhos que tinha comida na geladeira e que eu tinha deixado na primeira gaveta do meu criado mudo, algum dinheiro para eles comprarem lanches na escola e pagar a perua escolar do Tio Barriga.
- Mas doutor, o que está acontecendo comigo?
Eu tive um infarto, meu coração parou? Eu vou morrer?
O médico não respondeu nenhuma das minhas perguntas, só disse para o motorista vestido de branco pisar fundo e rápido para o Hospital Paulistano. E quando eu ouvi pela terceira vez a palavra “Morte Súbita”, uma lágrima começou a escorrer do meu olho esquerdo. Eu olhava pela janela da ambulância e via todo mundo saindo da frente para eu passar. Eu pensei em fechar os olhos e esperar Deus vir me buscar. Deus estava demorando, mas não fazia mal, pois eu não estava sentindo dor nenhuma, só estava preocupado com a bagunça que meus filhos poderiam fazer na cozinha, pois eles não costumavam lavar as louças depois do jantar. Pensei numa rosa sobre à mesa, na sala de estar e uma mulher de cabelos longos batendo a porta violentamente, até sumir numa nuvem branca. Eu tentei chorar pra valer, mas as minhas lágrimas se secaram, colocava a minha mão sobre o meu peito, mas não sentia a batida do meu coração. Me vi caminhando num jardim de terras negras, rastros sem saída, de plantas murchas e as rosas não tinham cheiro. Talvez o médico tivesse aplicado alguma injeção e eu estava delirando, mas eu estava ansioso para que Deus pudesse vir me buscar logo, pois a ambulância estava correndo depressa demais e poderia ocorrer um acidente. Mas, as lágrimas chegaram. E chegaram feitas águas escuras, escusas, como rios em correntezas.
- Eu vi a minha mãe.
Era uma senhora de cabelos brancos, estatura baixa, carinhosa no jeito de tocar a minha mão e colar no meu peito os eletrodos para que fosse feito o eletrocardiograma, e imediatamente eu fui para a unidade coronariana do Hospital Paulistano.
Lembro-me de ter ouvido mais uma vez a palavra “Morte Súbita”, ouvi também a palavra “Arritmia Cardíaca” e depois não me lembrei de mais nada.TRECHO DO LIVRO
21 junho 2014
33 VEZES EM APUROS! VOLUME II
BANHEIRO INTERDITADO>>> Quando o Carlão descia na hora do almoço, o
chapeiro da Lanchonete Puppi´s tinha que se preparar, pois pelo menos três lanches
X Tudo ele iria comer. Fora a batata frita sempre regada com molho de tomate e
mostarda. Nós cansávamos de lhe dizer para melhor a alimentação, mudar o hábito
e comer uma comida mais saudável, mas não tinha jeito, nosso amigo Carlão era
vidrado num X Tudo.
Por comer demais, talvez, ele sempre chegava
atrasado do trabalho, dormia mal, tinha excesso de peso e por isso transpirava
bastante, tinha falta de ar, e quando o elevador do prédio estava quebrado ele
demorava uma eternidade para chegar ao sétimo andar, onde ficava nosso
escritório. Para completar esse cardápio altamente rico em calorias, às sextas
feiras, no happy hour, Carlão se
enchia de batatas fritas, porções de calabresa, tudo regado a muita cerveja.
Nos dias em que tínhamos de fazer o fechamento
mensal na empresa era o maior sufoco. Carlão se esquecia do horário da volta do
almoço, talvez pelo sono que ele tinha depois de acabar com o estoque de X Tudo
da Lanchonete Puppi´s e às vezes tínhamos de mandar a Glória ir busca-lo. Para
piorar a situação, logo que ele voltava do almoço, passava alguns minutos
trancado no banheiro escovando os dentes e fazendo um download interminável. A
Tia Márcia da limpeza tinha que espera-lo terminar de fazer o download para
poder limpar o banheiro, senão teria o trabalho dobrado. Por mais que
falávamos, ele não mudava seu comportamento. Não ia ao médico, não jogava
futebol conosco e vivia num mundo sedentário onde a coisa mais importante era
comer X Tudo.
Numa tarde de segunda feira, depois de ter detonado
três X Tudo e ter bebido uma Coca de dois litros no Puppi´s, Carlão entrou no
banheiro e de dentro de alguma casinha acabou dormindo. Com a demora, A Tia
Márcia foi até nosso departamento nós avisar para ir tira-lo de lá, pois precisava
limpar o banheiro. Fomos eu e o Mariano, mas o Carlão não atendia nosso
chamado, até darmos um pontapé na porta e vê-lo acordar assustado. Para tira-lo
do assento do vaso sanitário, tivemos que, eu e o Mariano puxarmos-lo pelas
mãos. Pior que tudo isso foi o cheiro do coco. A Tia Márcia até foi obrigada a
fechar a porta e lançar no ar um spray de Bom Ar de Lavanda.
- Porra
Carlão, que palhaçada é essa?
O Mariano ficou puto da vida e eu fiquei com pena
do Carlão, diante daquela situação constrangedora.
- Carlão,
assim não vai dar mora! Você precisa criar vergonha na cara bicho!
O Mariano estava puto da vida, com razão, pois não
foi a primeira vez que tivemos que livrar o Carlão de uma situação
constrangedora. Ele era muito querido pelos diretores da empresa, mas tudo
tinha um limite e o limite das pessoas com o Carlão estava se esgotando. E
assim que conseguiu se restabelecer dignamente, o levamos de volta para o
departamento, sem fazer que tudo aquilo causasse algum alarde na empresa.
Voltamos para o departamento depois de tomarmos
todos junto um café bem forte e parecia que a rotina iria voltar ao normal, até
eu ver a Tia Márcia em pé, de frente à minha mesa, fazendo um sinal com os
olhos querendo dizer que gostaria de conversar comigo em particular.
- Augusto,
pode vir comigo até o banheiro?
No trajeto até o banheiro, não imaginei o que
poderia ser, mas fiquei ainda mais preocupado quando percebi que a Rosa, a
fofoqueira da empresa, tinha filmado toda a situação e sorrateiramente veio
atrás da gente.
- Veja só
como está a casinha do meio. Disse a Tia Márcia, quando entramos no
banheiro dos homens.
Podíamos dizer naquele momento que o download que o
Carlão fez na casinha do meio não havia sido concluído. O troço não descia,
mesmo depois de darmos tantas descargas naquela privada fedorenta. A Tia Márcia
ainda insistiu tentando dissolver o coco do Carlão com alguns produtos
químicos, mas não obtivemos sucesso. O jeito foi lançar alguns sprays de Bom
Ar, até acharmos uma resolução para aquele problema nojento.
- Porra
Carlão, que merda! Disse o Mariano puto da vida!
Vamos
chamar os bombeiros! Disse a
fofoqueira da Rosa.
Até que não foi uma má ideia, mas a minha maior
preocupação naquele momento foi tentar de alguma maneira poupar o meu amigo Carlão
de todo aquele constrangimento, mas não consegui, pois a fofoqueira da Rosa
espalhou a notícia para a empresa inteira e colocou um aviso na porta do
banheiro dos homens em que se lia a seguinte inscrição: BANHEIRO INTERDITADO ! >>> TRECHO DO LIVRO
OS OLHOS DO CENTURIÃO
Sir
Alfred Joseph Hitchcock, KBE, foi um
cineasta inglês, considerado o "Mestre dos filmes de suspense", um
dos mais conhecidos e populares realizadores de todos os tempos. Mas o que Alfred Hitchcock tem a ver com o enredo
deste livro? Ora, esse cineasta ficou famoso dentre tantas coisas, por através
de sua câmera mágica mostrar as cenas de um ângulo diferente, surpreendente,
dando outra interpretação para as cenas carregadas de suspense e enriquecidas
pelas trilhas famosas. Então, imaginamo-nos à época de Jesus Cristo: Imagine se
pudéssemos estar presente na “cena” em que Judas o beija, indicando-o como a
quem os que “não sabem o que fazem”
perseguem? Imagine também o corredor do calvário, seus detalhes... Será que se
estivéssemos por lá a história seria a mesma? Na certa não impediríamos o curso
da história, mas existiriam outros detalhes que pudessem estar nos escritos,
até mesmo a nossa própria morte em “defesa” de Deus. Neste Livro, Os olhos do
Centurião serão para nós a Câmera de Hitchcock, para descrever em outros
ângulos as principais cenas da vida do filho do homem, para que possamos
imaginar, não com a riqueza de violência e sangue de Mel Gibson, mas com a clemência do Centurião ao constatar depois da
crucificação que aquele homem na cruz era mesmo o filho de Deus.
Antonio Auggusto João
07 setembro 2013
RUA CINCO DE JULHO
... No Grupo, havia uma classe de alunos e alunas com alguns distúrbios mentais, que a gente, criança, na inocência, chamava-os de Loucos. O Beiçola era o terror da molecada. Na ficha dele lia-se que tinha sete anos, mas sua aparência era de uns quarenta. Eu dizia para minha mãe:
- Mãe, existe gente careca com sete anos?
- Por quê?
- Porque o Beiçola é careca! O cabelo dele não cresce!
Minha mãe preferiu não responder.
O principal recurso do Beiçola era o de atirar pedras. Ele tinha uma mira impressionante e quando caçoado pelos demais moleques, atirava sem pensar e sempre na cabeça. Outra que botava medo era conhecida como Maria Bonita. Acho que foi a menina mais feia que eu conheci na minha infância. Certa vez a minha professora Dona Julieta estava passando uma lição de casa no quadro verde e acabou o giz. Como sentava perto da porta, ela me pediu para buscar um pedaço de giz na sala ao lado. A sala estava fechada e andando pelo corredor, distraído, bati na porta da sala número treze:
- Professora, posso pegar um giz?
- Pode sim João!
Não tinha giz no quadro verde que ficava de frente para os alunos. Virei-me para o quadro verde lateral quando percebi que tinha uma aluna em pé me oferecendo o pedaço de giz. Levantei a cabeça e tive um grande susto: Descobri que estava dentro da Sala Especial e a menina que estava me oferecendo o giz, sorrindo sem os dentes da frente, era a Maria Bonita. Ameacei correr, me assustei ao ficar frente a frente com a menina mais feia do mundo e pude perceber que na hora que peguei o giz da mão dela, o Beiçola me filmou, me encarou e naquele momento eu fui jurado por ele, com o sinal que ele me fez com o beiço, que era o seu tique nervoso:
- Vou te pegar!
Eu não sabia que a Maria Bonita era namorada do Beiçola. Juro. Quando bateu o sinal eu saí correndo sem olhar para trás. Eu corri com a mochila nas costas e uma das mãos sobre a cabeça, com medo de tomar uma pedrada do Beiçola. Pior foi à noite. Eu não conseguia dormir. Ficava me lembrando do rosto da Maria Bonita. Ela era muito feia, parecia que tinha só um buraco no nariz, a ponta do seu nariz fazia uma curva e suas pernas eram peludas. Diziam que ela andava mancando, pois tinha uma perna maior que a outra. No dia seguinte, cheguei cedo ao Grupo e fui correndo procurar o Ratinho. Ratinho era um moleque bem baixinho, magrinho, narigudo e com cara de velho. Ele também estudava na Sala Especial, mas era um amigo que eu tinha. Pedi para o Ratinho conversar com o Beiçola e dizer que eu não queria briga com ele, que ele entendeu errado e que eu não queria nada com a Maria Bonita, pois minha namorada era a Raquel. A Raquel não era da Sala Especial e depois que nos formamos na quarta série, em mil novecentos e setenta e um nunca mais soube dela.
TRECHO DO LIVRO
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